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Washington Post: economia norte-americana escorregou em casca de banana

© AP Photo / Evan VucciO presidente dos EUA, Joe Biden, fala durante encontro virtual com governadores democratas sobre o direito ao aborto legal, na Casa Branca, 1º de julho de 2022
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As autoridades norte-americanas se recusaram a reconhecer as óbvias falhas econômicas e seguem insistindo no seu "crescimento negativo", enquanto muitos países já se sentem enganados, afirmou o colunista do The Washington Post, Charles Lane.
O analista lembrou que nos Estados Unidos são observados demasiados sinais de crise econômica.

"Os dados do Departamento do Comércio, publicados na quinta-feira (28), podem muito bem confirmar que o PIB está diminuindo já pelo segundo trimestre consecutivo. Acerca disso, a Casa Branca emitiu um comunicado em que sublinhou que não é estabelecida oficialmente a regra prática de acordo com a qual o declínio econômico ao longo de dois trimestres significa recessão", disse Lane.

Segundo o colunista, tal cenário lembra os tempos em que a administração Carter (1977-1981) evitou os termos "recessão" e "depressão".

"Em 1978, Alfred Kahn, economista da Universidade Cornell, responsável pelo combate à inflação durante o governo de Jimmy Carter, afirmou que a incapacidade de controlar os preços, que estavam crescendo rapidamente, poderia levar a uma 'depressão profundíssima'. Os assessores de Carter, preocupados com os possíveis efeitos políticos, deram-lhe a ordem de nunca mais repetir esta palavra. […] Durante uma próxima reunião com jornalistas, Carter disse, de maneira desprezível, que a nação estava 'em perigo de ter a pior banana de 45 anos'", especificou o autor da publicação.

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Hoje, mais uma vez na história, a inflação ameaça a ordem política norte-americana, enquanto à disposição do atual chefe da Casa Branca não há tantas ferramentas eficazes, para reverter a situação, como Carter tinha na época.

"Tal como Kahn previu, a fim de conter a inflação, era preciso atravessar – como se diz? – o declínio súbito, provocado pelo aumento das taxas de juro pelo Sistema de Reserva Federal e marcado pelo desemprego, que atingiu o seu pico em 1982, constituindo 10,8%. Tais medidas para aumentar as taxas do Sistema de Reserva Federal, iniciadas em março, fizeram com que muitos se preocupassem com o risco da 'banana'", afirmou Lane.

O analista lembrou uma situação no mercado do leite em pó, que ainda está em falta séria: segundo o colunista, foram as políticas estatais norte-americanas que fizeram a cadeia de suprimento vulnerável após o fechamento da produção em uma das maiores fábricas dos EUA, Abbott Laboratories.
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"As leis difíceis, elaboradas a fim de ajudar os estados a obter mais leite em pó através dos subsídios federais, levaram a consequências não intencionais: surgiram monopólios a nível de estado para certas empresas e barreiras quase intransitáveis para novas produtoras potencialmente inovadoras. Seria justo dizer que Fred Kahn teria enlouquecido com tais políticas", concluiu Charles Lane.

De acordo com o comunicado do Departamento do Comércio norte-americano, o PIB estadunidense no segundo trimestre do ano corrente, segundo as estimativas preliminares, teve uma inesperada queda anualizada de 0,9%. Os analistas entrevistados pelo portal DailyFX, pelo contrário, previram um crescimento econômico anualizado de 0,5%. Assim, a economia norte-americana está em declínio pelo segundo trimestre consecutivo – após um declínio anualizado de 1,6%, registrado no primeiro trimestre.
Entretanto, a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que, enquanto a Casa Branca segue negando qualquer recessão nos Estados Unidos, as autoridades norte-americanas parecem ter decidido "cancelar" a palavra "recessão".

"Na Casa Branca negam a recessão nos Estados Unidos. Continuam firmes, ao discutir com os seus próprios jornalistas, balançam a cabeça, recusando-se a responder a perguntas esclarecedoras sobre o que é a recessão, neste caso", escreveu Zakharova no seu canal no Telegram.

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A diplomata russa salientou que as autoridades dos EUA têm tentado explicar as suas próprias falhas econômicas com as políticas russas.

"Antes, tais palavras como 'declínio' e 'abrandamento' ajudaram os equilibristas políticos norte-americanos, mas agora estão em uma situação tão catastrófica que inventaram [os termos] 'imposto de Putin', 'preços de Putin' etc.", defendeu Zakharova, chamando a suposta influência das políticas russas na política interna norte-americana de "intervenção recessiva do Kremlin".

Anteriormente, a porta-voz do presidente dos EUA, Karine Jean-Pierre, entrou em uma discussão acalorada com um jornalista por causa da definição da recessão, tentando mentir sobre a atual situação econômica nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, de acordo com os dados do Departamento do Comércio norte-americano, a economia do país tem sofrido declínio já há seis meses.
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