Membros da comitiva de uma delegação em frente da sede das Nações Unidas durante a 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York, 21 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
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Donbass visto pela jornalista da Sputnik: filas para obter cidadania russa e preparação do referendo

© Sputnik / Dmitry Makeev  / Abrir o banco de imagensPessoas caminhando em uma das ruas de Melitipol, cidade controlada pelas tropas russas, 19 de julho de 2022
Pessoas caminhando em uma das ruas de Melitipol, cidade controlada pelas tropas russas, 19 de julho de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 20.07.2022
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Nas áreas de Donbass libertadas ao longo da operação militar verifica-se um interesse elevado da população em obter cidadania russa. Em certas regiões está sendo conduzida a preparação de referendos para determinar seu futuro político, observou a corresponde da Sputnik Ceyda Karan.
Nos territórios de Donbass, agora sob o controle da Rússia e das suas forças aliadas, está se reestabelecendo a vida pacífica, tendo a população local começado a voltar à região. Logo após a região de Kherson, centros para obter a cidadania russa foram abertos em Zaporozhie. Anteriormente, o presidente russo Vladimir Putin simplificou o processo de obtenção da cidadania russa em Donetsk e Lugansk.
Ao longo dos oito anos da crise na Ucrânia, no total mais de 700.000 passaportes russos foram obtidos por habitantes das repúblicas populares. Hoje em dia, o processo está sendo conduzido juntamente com a operação militar especial.
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Filas para obter a cidadania russa

Em Melitopol, cidade que a delegação da Sputnik visitou durante uma viagem de trabalho organizada pelo Ministério da Defesa russo, os respectivos centros emitem em média por volta de 20-30 passaportes da Federação da Rússia por dia. As ruas e avenidas de Melitopol parecem animadas: a cidade não sofreu dos combates de forma significativa por as tropas ucranianas a terem deixado sem conseguir estabelecer uma densa linha de defesa. Na cidade, os estabelecimentos de ensino e de saúde continuam funcionando de modo normal. Foi aprovado um orçamento especial para a reparação de escolas, nas quais as aulas continuam sendo organizadas, inclusive em língua ucraniana. Além disso, estão se formando novos partidos políticos.
Entre aqueles que solicitam a cidadania russa, além das gerações de meia-idade e idosa, também há jovens. Segundo expressam os habitantes da cidade que chegam aos centros, conseguir o passaporte russo é um acontecimento esperado há muito.
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Nadezhda, oriunda de Anapa, uma cidade portuária no sul da Rússia, conversou com a Sputnik.
"Nasci na Rússia, e é por isso que tudo o que está relacionado com ela representa um valor especial para mim. Agora vamos ter ensino gratuito, serviços médicos gratuitos – tudo o que já tivemos um dia, mas de que fomos privados", disse a moradora de Donbass ao solicitar a cidadania russa.
Outra moradora de Melitopol, Nina Sergeevna, contou que ao longo dos quatro últimos meses teve que viver em condições de bombardeios constantes.
"Agora, ao final a paz foi reestabelecida. Está tudo muito bem", afirmou Nina Sergeevna, que tem 80 anos. Ela nasceu em Belarus, sendo sua mãe belarussa e o pai russo, mas cresceu e morou durante toda a sua vida em Melitopol. "Nunca quis deixar o local. Aqui tenho a minha casa", diz.
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"Não seremos um segundo Kosovo, o futuro da região vai ser determinado por referendo popular."

Em Melitopol, o grupo de representantes da mídia internacional em que participou a correspondente da Sputnik, Ceyda Karan, encontrou-se com o chefe da administração cívico-militar da região de Zaporozhie, Yevgeny Balitsky. Segundo ele, o referendo [de adesão à Rússia] está previsto para o início do outono no Hemisfério Norte.
"Não seremos um segundo Kosovo, onde a população não conseguiu expressar a sua vontade. Vamos organizar um referendo justo e transparente, fazendo o que o nosso povo quiser", salientou.
Conforme Balitsky, a região de Zaporozhie não visa criar uma república independente nem se juntar à Crimeia. "No referendo os habitantes da região vão ter que responder a uma pergunta simples: se eles querem se juntar à Rússia ou não", afirmou.
© Sputnik / Dmitry Makeev  / Abrir o banco de imagensTranseuntes na praça Pobeda em Melitopol, cidade controlada pelas tropas russas, 19 de julho de 2022
Transeuntes na praça Pobeda em Melitopol, cidade controlada pelas tropas russas, 19 de julho de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 20.07.2022
Transeuntes na praça Pobeda em Melitopol, cidade controlada pelas tropas russas, 19 de julho de 2022

"O nacionalismo radical transformou a Ucrânia em 'um homem doente'."

De acordo com Balitsky, o nacionalismo radical afetou de forma perniciosa a Ucrânia, envenenando as estruturas estatais. O chefe da administração cívica-militar classificou as ações de Kiev, que cortou a eletricidade na região, como genocídio.

"Apesar da pressão por parte das autoridades ucranianas, não vamos baixar as cabeças perante os banderistas [seguidores do ultranacionalista ucraniano Stepan Bandera]. Bandera nunca se tornará o nosso herói. Para nós, um herói é quem defende a sua pátria. Vamos seguir sendo ucranianos, mas ao mesmo tempo queremos fazer parte da Rússia", disse.

As palavras de Balitsky refletem o desejo da população da região de se tornar parte da federação multinacional da Rússia, em resposta à opressão por parte da Ucrânia.
Para concluir, a correspondente da Sputnik Ceyda Karan cita as palavras de seu colega, um jornalista que trabalha em uma mídia europeia e que também visitou Donbass. Resumindo a situação na região, ele disse: "No fim de contas, a Rússia está atuando em territórios onde vive uma população russa".
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