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Correspondente da Sputnik testemunha produção agrícola em Donbass: tudo funciona como antes

© Sputnik / Dmitry Makeev  / Abrir o banco de imagensTrigo nos territórios libertados da região de Zaporozhie, 16 de julho de 2022
Trigo nos territórios libertados da região de Zaporozhie, 16 de julho de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 19.07.2022
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Enquanto o Ocidente acusa a Rússia de ter provocado a crise alimentar mundial, da qual órgãos da ONU avisaram já no ano passado durante a pandemia da COVID-19, nas áreas de Donbass que agora estão sob o controle das tropas russas e forças aliadas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk está sendo levado a cabo o cultivo de produtos agrícolas.
Apesar da pressão por parte das autoridades de Kiev, que cortaram o fornecimento de eletricidade e água a estas regiões, os agricultores de Donbass seguem produzindo alimentos por conta própria, em primeiro lugar trigo.
Fazendo parte de um grupo internacional de jornalistas, a correspondente da Sputnik Ceyda Karan visitaram a empresa agrícola Kalmychanka, localizada no distrito Starobelsky, na República Popular de Lugansk. No período soviético aqui existia uma unidade agrária de produção coletiva (kolkhoz) e hoje em dia essa infraestrutura é considerada um dos produtores de grãos líderes na região. Como nos explicaram na empresa, antes do início da operação militar especial russa os grãos cultivados no lugar eram enviados para a Europa. Contudo, devido às sanções impostas, a nova rota de fornecimento vai passar através dos territórios de países amigáveis.
O diretor de Kalmychanka, Viktor Molotok, contou à Sputnik que o território da empresa não foi afetado durante os combates. Como resultado, 5.500 hectares dos campos foram semeados com o trigo, aveia, girassol e milho. Segundo o diretor, todos os funcionários da empresa agrícola continuam trabalhando, ninguém se demitiu, enquanto o salário está sendo pago em rublos, de acordo com a legislação da República Popular de Lugansk.

"Todo o trigo recolhido dos campos será colocado nos armazéns. Suponho que vamos iniciar as vendas em agosto ou setembro, porque agora temos uma situação financeira estável, podemos esperar até que os preços subam e então entraremos no mercado", disse Molotok.

"Hoje em dia a Rússia compra o trigo através da empresa Starobelsky Elevator. Depois, a empresa Gelios Plyus, da cidade russa de Rostov-no-Don, transporta a produção aos portos, de onde ela vai para a Turquia, Argélia, Síria, Egito – ou seja, os países amigáveis, que estão prontos para pagar em dinheiro real. Não há nenhuns problemas com os fornecimentos", afirmou Viktor Molotok, após ser perguntado para que mercados serão efetuadas as exportações de grãos.
Como exemplo, o agricultor mencionou o fato de a Kalmychanka ter vendido às fábricas de óleo russas mais de 800 toneladas de sementes de girassol. Segundo Molotok, a renda obtida é usada para pagar salários aos funcionários, impostos etc. "O trabalho na nossa empresa está decorrendo de modo normal", resumiu.
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Ao comentar as sanções impostas pelos países ocidentais e a sua recusa de seguir comprando grãos, Molotok reiterou que a empresa quase não está sofrendo perdas.

"A decisão é deles, que não comprem. A nossa empresa está funcionando como dantes, de modo normal. A operação militar especial praticamente não afetou a nossa produção, exceto na necessidade de procurar novos mercados logísticos para sua recepção. Penso que a questão será resolvida no futuro próximo", disse.

"Agora estamos efetuando as vendas através de intermediários na Federação da Rússia. Eles compram a nossa produção de forma direta, os documentos são elaborados no comitê alfandegário e na Câmara de Comércio e Indústria, depois se realiza o transporte para a cidade de Armavir [sul da Rússia], onde estão situadas as fábricas de óleo de girassol, e para outras cidades russas", esclareceu Viktor Molotok à correspondente da Sputnik.
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Em 24 de fevereiro a Rússia lançou uma operação militar especial na Ucrânia, alegando que as repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL), anteriormente reconhecidas por Moscou como Estados soberanos, precisavam de ajuda diante dos ataques de Kiev que, conforme relatado, aumentaram a partir da segunda metade do mesmo mês. Um dos objetivos fundamentais desta operação, segundo Putin, é a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.
Moscou e Kiev realizaram várias rodadas de negociações de paz, a última em março, mas desde então as partes não se encontraram novamente e, em meados de maio, Putin reconheceu que o processo de negociação está "praticamente suspenso".
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