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Biden foi ao Oriente Médio resolver problemas econômicos dos EUA, não levar a paz, diz especialista

© AFP 2022 / MANDEL NGANO presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, falam juntos após suas declarações à mídia no Complexo Presidencial de Muqataa, cidade de Belém, Cisjordânia, 15 de julho de 2022
O presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, falam juntos após suas declarações à mídia no Complexo Presidencial de Muqataa, cidade de Belém, Cisjordânia, 15 de julho de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 17.07.2022
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A visita do presidente dos EUA, Joe Biden, ao Oriente Médio, particularmente à Arábia Saudita - Estado que Biden prometeu tornar "um pária" - tem trazido muita controvérsia ao cenário internacional.
Em um artigo de opinião do Washington Post, o presidente dos EUA, Joe Biden, ao descrever seus objetivos de viagem ao Oriente Médio, disse que estava embarcando em uma jornada para conduzir a diplomacia e trabalhar para normalizar as relações entre Israel e o mundo árabe, particularmente, se certificando de que os processo de paz entre israelenses e palestinos estejam vigorando.
No entanto, muitos críticos discordaram dos objetivos por trás de sua primeira viagem presidencial ao Oriente Médio. A viagem ocorreu em meio a severas dificuldades econômicas internas, que alguns outros países ocidentais também estão enfrentando. Com a alta de preços da energia, um dos principais objetivos do presidente dos EUA era convencer a Arábia Saudita a aumentar a produção de petróleo na esperança de conter os preços.
Mas a viagem trouxe poucos resultados práticos, pois Riad deixou claro que só poderia aumentar a produção de 10 para 13 milhões de barris por dia. Além disso, criou-se a impressão, entre alguns observadores, de que Biden, de fato, só foi ao Oriente Médio porque foi obrigado a resolver as questões econômicas dos EUA, em vez de promover a paz e a prosperidade na região.
Biden e a liderança da Arábia Saudita reafirmaram seu compromisso com uma solução "nos moldes de 1967" para o conflito entre Israel e Palestina. No entanto, o presidente dos EUA afirmou que "o terreno não está maduro" para reiniciar as negociações entre os dois lados, e também não exigiu um congelamento delas do primeiro-ministro israelense Yair Lapid quando os dois se encontraram em Jerusalém.
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De acordo com o professor de ciência política da Universidade Islâmica de Gaza, Waleed al-Modallal, a posição norte-americana não passa de "slogans repetidos" que não visam de fato resolver o problema de longa data da região.

"Não acho que o lado americano vai praticar qualquer tipo de pressão sobre o lado israelense, e todo mundo sabe disso", diz Al-Modallal. "Acho que esta visita não é para retomar as negociações entre palestinos e israelenses. [...] Ela vem para resolver o problema econômico dos americanos. Só isso."

O professor destacou que, na realidade, não há vontade política em Israel para voltar às negociações e solucionar o problema entre os dois Estados. Além disso, segundo ele, não há "nenhuma chance" para tal solução, já que a maioria das terras que os palestinos consideram suas são ocupadas por colonos israelenses.
As palavras do presidente palestino Mahmoud Abbas sobre como essa poderia ter sido uma das "últimas chances" de uma solução de dois Estados são essencialmente um mantra que ele vem repetindo há muito tempo, argumenta Al-Modallal.
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"São palavras repetidas do presidente americano e também do presidente palestino", diz ele, dizendo que a chamada "solução regional" está sendo transferida para a responsabilidade dos árabes, "e Israel não pagaria nenhum preço pela terra, em relação à proteção dos palestinos ou qualquer outra coisa."

Apesar da posição declarada dos EUA sobre os palestinos e os fundos que vêm de Washington para apoiá-los, o governo Biden ainda não consegue "tocar o cerne da questão", que é "político, não econômico ou humanitário", explica Al-Modallal.
"É a solução mais fácil para os americanos dar esses presentes", diz ele.
Com pouca esperança de que Washington realmente faça algo significativo em relação ao processo de paz israelense-palestino, parece que poucos palestinos estão levando Biden e sua visita a sério, particularmente seu encontro com Abbas.
"[Esta] visita vem para apoiar os israelenses e a normalização na região, bem como para resolver o problema do poder, que atinge a economia americana e internacional. É isso. Não é para renovar ou reforçar as negociações palestino-israelenses. todos sabem disso", conclui o professor.
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