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Acordo sobre diesel: EUA e Europa podem impor 'custos' ao Brasil por aproximação com Moscou?

© AP Photo / Mikhail KlimentyevO presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o presidente russo, Vladimir Putin, posam para uma foto antes de uma reunião do BRICS à margem da cúpula do G20 em Osaka, no Japão, em 28 de junho de 2019
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o presidente russo, Vladimir Putin, posam para uma foto antes de uma reunião do BRICS à margem da cúpula do G20 em Osaka, no Japão, em 28 de junho de 2019 - Sputnik Brasil, 1920, 12.07.2022
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O xadrez internacional do Itamaraty pode garantir ao Brasil nas próximas semanas um importante acordo para comprar diesel da Rússia. O negócio é visto com bons olhos por dois especialistas consultados pela Sputnik Brasil.
Após declarar que as "barreiras dos EUA e da Europa contra a Rússia não deram certo", o presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem (11) que o país está perto de fechar um acordo com o governo russo para o fornecimento de diesel. A estratégia é uma resposta à disparada dos preços dos combustíveis no Brasil e no mundo, pressionados pelo conflito na Ucrânia e pela aplicação de sanções antirrussas pelo Ocidente.
O impacto, conforme mostra a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), colocou o preço médio do diesel brasileiro 3% acima da média internacional. Para Luiz Carlos Prado, especialista em economia internacional e professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a principal razão para o aumento constante do diesel "tem a ver com as restrições no mercado internacional e com restrições ao governo da Rússia". Segundo ele, "no caso do Brasil, o governo importa cerca de 20% do seu consumo de diesel", e há impactos em toda a cadeia produtiva.
Luiz Carlos Prado entende que a "saída" que o governo brasileiro conseguiu para esse problema foi "interessante, sobretudo do ponto de vista da redução do preço doméstico do combustível", citando como exemplo que "tanto a Índia quanto a China têm se beneficiado dessa 'fuga das sanções' sobre a Rússia".
Ele descreveu o acordo como de interesse tanto para a Rússia quanto para o Brasil, reforçando que o Itamaraty tem uma "politica externa pragmática", e essa aproximação, em termos de combustível derivado, "aquele em que não somos autossuficientes, é uma noticia muito boa para o país".
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Fábio Pereira de Andrade, especialista em economia e administração pública e professor do curso de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), também avaliou o acordo de forma positiva, dizendo que, se o Brasil conseguir fechar o negócio, "é possível aliviar um pouco a crise dos combustíveis no país". Ele explicou que esse "é um acordo que chega em boa hora", pois havia o temor no mercado "de que houvesse um desabastecimento de diesel", ampliando a pressão sobre a elevação dos preços.
"Aproveitando que há uma série de restrições contra a Rússia, basicamente o Brasil se aproxima para resolver um problema particular", comentou.
No dia 30 de maio, o então presidente da Petrobras relatou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) "elevado risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro no segundo semestre de 2022". No mesmo dia, o Ministério de Minas e Energia disse que "os estoques de óleo diesel S10 representam 38 dias de importação". Ou seja, se as importações desse combustível fossem cessadas no fim de maio, os estoques, em conjunto com a produção nacional, seriam suficientes para suprir o país por 38 dias.
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Além do fator dos preços, há outro ponto importante que pesa sobre o cenário econômico brasileiro: a inflação. O especialista explicou que o índice que mede o aumento no preço dos produtos tem um componente importante com despesas de transporte, "embora muito mais influenciado pelos custos do álcool e da gasolina". Ainda assim, a proposta do governo pode reduzir os custos de transporte dos caminhoneiros, que dependem do diesel.
Embora ambos os especialistas consultados pela Sputnik Brasil avaliem o negócio como positivo para ambos os lados (Rússia e Brasil), Luiz Carlos Prado destaca que, a partir do pragmatismo brasileiro, é possível que EUA e Europa decidam impor "custos" ao Brasil, principalmente por essa relação com o governo russo, dada a pressão dos EUA para a adesão de outros países às sanções contra a Rússia. Por outro lado, ele avalia que "o BRICS caminha vagarosamente para ser um bloco alternativo", mas falta, no seu entendimento, um cronograma objetivo entre os países.
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Ele explicou que, "se o BRICS conseguir ser um fórum de negociação alternativa, é algo a ser visto com bons olhos, mas também cautela, porque senão você descaracteriza o papel que o BRICS tinha no seu início". Para ele, ainda é preciso consolidar alguns pontos fundamentais do grupo. "Esse processo de integração regional precisa ser feito com projetos sólidos", declarou.
Essa opinião foi partilhada por Fábio Pereira de Andrade, que defendeu que é bastante provável que a Rússia seja capaz de entregar a demanda necessária ao Brasil de diesel e que é preciso pensar em novas alternativas.

"É preciso estabelecer canais de importação e energia. A Rússia é importante para a nossa agricultura e é fundamental para a importação de produtos químicos, como fertilizantes. Esses canais têm que ser abertos e aprofundados", comentou.

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