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Por que Johnson ao final renunciou e Trump nunca o fez? The Washigton Post responde

© AP Photo / Frank AugsteinO primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, caminha até o presidente norte-americano, Donald Trump
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, caminha até o presidente norte-americano, Donald Trump - Sputnik Brasil, 1920, 08.07.2022
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Boris Johnson foi derrotado pelos membros de seu partido e governo. Trump, pelo contrário, nunca perdeu o apoio de seus colegas de partido, mesmo após o ataque ao Capitólio, escreve o The Washington Post.
A renúncia do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, anunciada na quinta-feira (7), é uma demonstração do poder dos políticos eleitos de responsabilizar seus líderes, acredita o colunista Dan Balz do The Washington Post, especialista em política nacional americana. É uma lição que tem sido esquecida pelos membros do Partido Republicano dos EUA, que ponderam as formas de lidar com o ex-presidente norte-americano Donald Trump.
O analista salienta que a renúncia de Johnson na quinta-feira (7) foi anunciada depois da perda de apoio entre os ministros de Johnson e simpatizantes do Partido Conservador. Ao mesmo tempo, nada disso ocorreu com Donald Trump, nem durante seu primeiro "impeachment", nem durante o segundo. Trump desfrutou do apoio dos republicanos, não obstante o papel que desempenhou no ataque ao Capitólio por seus simpatizantes em 6 de janeiro de 2021. Em cada caso, praticamente todos os republicanos se consolidaram em torno de Trump e continuam o apoiando até hoje.
© AP Photo / Joe MaioranaDonald Trump, ex-presidente dos EUA (2017-2021), fala em comício na Pista de Corrida do condado de Delaware, EUA, 23 de abril de 2022
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Entretanto, diz o artigo, a derrota de Johnson ocorreu após a queda contínua de seu prestígio. Ao longo de meses, o político foi se defendendo de escândalos, um após outro. Johnson tentou se livrar de seus problemas e, por um período limitado, conseguiu fazê-lo. No início, se comportava de maneira provocante, mas acabou por pedir desculpas, quando se tornou completamente impossível evitar a verdade.
A queda do prestígio e confiança no ex-primeiro-ministro britânico começou com o anúncio sobre a renúncia de dois membros proeminentes do Gabinete: Rishi Sunak (ministro das Finanças) e Sajud Javid (ministro da Saúde). Antes de Johnson renunciar a seu cargo, mais de 50 secretários decidiram abandonar o governo em protesto contra seu líder. Um dia antes da renúncia, a sociedade passou a apelar para sua saída de forma mais ruidosa.
Segundo a mídia, além dos eleitores, que se decepcionaram com o ex-primeiro-ministro, os membros do Gabinete, mesmo os que antes pareciam os mais leais a Johnson, se reuniram em Downing Street para lhe dizer que seu tempo tinha acabado.
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Dan Balz compara os avisos dos partidários de Boris Johnson com o que aconteceu com o ex-presidente norte-americano Richard Nixon em agosto de 1974, quando altos funcionários do Congresso, liderados pelo senador Barry Goldwater, do Arizona, visitaram a Casa Branca e disseram a Nixon que tinha chegado o fim de seu apoio no Senado. No fim de contas, em vez de ficar na história como o primeiro presidente norte-americano condenado judicialmente e submetido ao impeachment, Nixon optou pela variante menos grave e renunciou ao cargo.
Mesmo assim, a situação nunca se repetiu com Trump, que correu o risco de ser removido do cargo várias vezes.

"Trump nunca sofreu o que Johnson tem sofrido. Em nenhuma ocasião os líderes dos republicanos – senadores, membros da Câmara dos Representantes, governadores ou altos funcionários fizeram tentativas de se opor a ele coletivamente. Depois de 6 de janeiro de 2021, no Gabinete de Trump se falou de que, com base na Vigésima Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, o presidente podia ser declarado incapaz de exercer seu cargo, mas isso não resultou em nada. Os legisladores inicialmente condenaram seu ataque ao Capitólio, mas depois começaram a ceder de maneira obediente", escreve o colunista do The Washington Post.

Os republicanos não alcançaram o ponto crítico com Trump, supõe Balz. Eles ponderaram as consequências de lançar um desafio à figura que ainda era uma força dominante em seu partido e decidiram defendê-lo de forma energética ou, pelo menos, manter o silêncio.

"Há coisas semelhantes nas personalidades de Johnson e Trump, e pode ser que tenha sido por isso que, de forma instintiva, se aproximavam um do outro. Mesmo quando Johnson manobrava contra May [Theresa May, ex-primeira-ministra britânica que ocupou o cargo antes de Johnson, mas também renunciou], Trump elogiou-o e criticou May. Vale a pena lembrar uma famosa entrevista [de Trump], em que ele critica May e fala de Johnson em tom positivo, quando [o ex-presidente norte-americano] chegou em visita oficial ao Reino Unido para se encontrar com May, primeira-ministra em funções", recorda o The Washington Post.

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Balz destaca que, na realidade, nem Johnson nem Trump encaravam suas responsabilidades como líderes dos países de forma séria. Ambos preferiam gabar-se a estudar os assuntos de forma detalhada. O colunista acredita que tanto Trump, como Johnson, são artistas, mas não estadistas. Eles permitem a si próprios "excessos retóricos" e espetáculos demonstrativos, para "desfrutar o rugido da multidão". Ambos são propensos a divulgar mentiras, mesmo quando é absolutamente óbvio.

"É provável que Johnson tenha estado pronto para pedir desculpas, quando foi encurralado, mas [neste caso] se tratava mais do instinto de sobrevivência. Seu discurso de renúncia pode ser considerado de qualquer forma, mas não de penitente. Parece que Trump é ainda mais incapaz de reconhecer seus erros", nota-se na publicação.

Quanto à explicação da diferença entre as duas situações, o autor fala sobre os diferentes sistemas políticos dos dois países.
"Os políticos eleitos no Reino Unido possuem muito mais capacidades de determinar quem vai liderar seu partido e, consequentemente, quem vai se tornar primeiro-ministro nas eleições gerais. O sucessor de Johnson, no fim de contas, será eleito por votação de todos os membros do Partido Conservador. Contudo, para participar de uma votação final, é preciso que os que querem liderar o partido antes de mais nada tenham os votos dos membros do parlamento", indica o analista.
Ao mesmo tempo, diz o artigo, Trump nunca assumiu responsabilidade perante o Partido Republicano, a maioria dos membros do qual inicialmente se manifestaram contra sua candidatura à presidência. No entanto, eles não desempenham nenhum papel significativo na seleção dos candidatos à presidência pelo partido. Donald Trump, na opinião do colunista, "conquistou" o Partido Republicano ao se tornar candidato à presidência em 2016, obteve o apoio dentro do partido e lançou um desafio ao establishment. Balz mesmo supõe que Trump continua fazendo isso.
Desta forma, o papel que os políticos eleitos britânicos, membros do Gabinete, desempenharam a fim de forçar Johnson a deixar seu cargo lembra que os líderes dos republicanos – legisladores eleitos, ex-funcionários da Casa Branca e membros do Gabinete de Trump – optaram por outro caminho.
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