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Além do Talibã, não há força política no Afeganistão com quem se possa dialogar, diz analista

© Sputnik / Vyacheslav Kiselev  / Abrir o banco de imagensRepública do Afeganistão (agora – Emirado Islâmico do Afeganistão), 25 de julho de 1989
República do Afeganistão (agora – Emirado Islâmico do Afeganistão), 25 de julho de 1989 - Sputnik Brasil, 1920, 08.07.2022
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Além do Talibã (movimento sob sanções da ONU por atividades terroristas), no Afeganistão não há uma força política real com a qual se possa dialogar ou construir relações econômicas, por isso, através de esforços conjuntos das potências regionais, é preciso prestar apoio ao Talibã, acredita o analista e especialista em crise afegã Vasily Kravtsov.

"A realidade é que, além do Talibã, no atual Afeganistão não há uma força política com que se possa conduzir o diálogo ou construir relações econômicas", escreveu Kravtsov em um artigo publicado na sexta-feira (8) na revista Rossiya v Globalnoi Politike (Rússia na Política Global).

Os que apostam nas forças de oposição, em particular, na Frente de Resistência Nacional do Afeganistão, segundo o analista, "cometem um grande erro".
"Os separatistas têm ainda menos experiência [...] do que os talibãs. O reinício da guerra civil sangrenta, sem dúvida, não corresponde aos interesses dos próprios afegãos, nem dos seus vizinhos", salientou Kravtsov.
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Ao mesmo tempo, supõe o perito, nem a Rússia, nem o Paquistão ou os países da Ásia central não vão ajudar Cabul a superar os problemas internos destrutivos.

"Contudo, é bastante possível e mesmo aceitável dar aos afegãos a oportunidade de, por conta própria, equilibrarem a situação étnico-confessional. Não há dúvidas de que os talibãs vão fazê-lo de forma rápida e eficaz por estarem interessados em um reconhecimento internacional o mais rápido possível", explica.

O que os vizinhos do Afeganistão e os maiores países da região realmente podem fazer é ajudar o governo interino a superar a crise humanitária para, entre outras coisas, evitar o fluxo de refugiados esfomeados do Afeganistão, destacou Kravtsov.
"Como sabem, a Rússia recebeu uma delegação dos círculos econômicos pro-Talibã durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, que estão interessados em chegar a um acordo sobre o fornecimento ao Afeganistão uma série de produtos fabricados na Rússia, bem como de combustível e alimentação", disse.
Além disso, os sinais "pacíficos" do Talibã foram positivamente recebidos pelos vizinhos do Afeganistão, segundo o analista. Assim, Tashkent (capital do Uzbequistão) estabeleceu um diálogo permanente sobre os problemas econômicos com Cabul, enquanto Teerã tem planos de regular as questões da utilização da água com os talibãs.
© AP Photo / Zabi KarimiCombatentes do Talibã (organização sob sanções da ONU por atividade terrorista) assumem o controle do palácio presidencial afegão depois que o presidente Ashraf Ghani fugiu do país, em Cabul, Afeganistão, 15 de agosto de 2021
Combatentes do Talibã (organização sob sanções da ONU por atividade terrorista) assumem o controle do palácio presidencial afegão depois que o presidente Ashraf Ghani fugiu do país, em Cabul, Afeganistão, 15 de agosto de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 08.07.2022
Combatentes do Talibã (organização sob sanções da ONU por atividade terrorista) assumem o controle do palácio presidencial afegão depois que o presidente Ashraf Ghani fugiu do país, em Cabul, Afeganistão, 15 de agosto de 2021
"Só há uma conclusão: hoje em dia não é uma questão principal se a Rússia vai reconhecer o Talibã ou não. O que é mais atual é que, empreendidos esforços conjuntos das forças regionais, é possível, e ao mesmo tempo é preciso, fornecer aos talibãs um apoio econômico eficaz, dar-lhes a oportunidade de superar a crise humanitária e, através disso, eliminar tais ameaças como o Daesh [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países] e os talibãs do Paquistão", salienta Kravtsov.
Afinal de contas, além de chegar a um acordo com as minorias étnicas, e através disso garantir a segurança para investimentos estrangeiros, não há outras variantes para Cabul, acredita o analista.
No início de agosto de 2021 os talibãs fortaleceram sua ofensiva contra as forças do governo do Afeganistão. Em 15 de agosto eles entraram em Cabul e no dia seguinte anunciaram que a guerra no país tinha acabado. O então presidente afegão Ashraf Ghani afirmou que tinha deixado o país "a fim de pôr fim ao massacre".
Na noite para 31 de agosto os militares americanos deixaram o aeroporto de Cabul, o que assinalou o fim de 20 anos da presença militar norte-americana no Afeganistão. No início de setembro foi anunciada uma nova composição do governo interino do Afeganistão, liderado por Mohammad Hassan Akhund, que tinha ocupado o cargo de ministro das Relações Exteriores durante a primeira chegada do Talibã ao poder. Mohammad Hassan Akhund está sob sanções da Organização das Nações Unidas desde o ano de 2001.
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