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Mistério da queda de civilização avançada na China há 4.300 anos é finalmente resolvido (FOTOS)

© Foto / Pixabay / BergadderCaverna (imagem referencial)
Caverna (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 29.11.2021
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Uma equipe de pesquisadores internacional estudou registros de estalagmites subterrâneos no Delta do Rio Yangtzé, concluindo que a mudança climática teve um efeito decisivo na queda da cultura Liangzhu.
Cientistas dizem ter descoberto a razão de uma civilização chinesa que surgiu há 5.300 anos ter desaparecido um milénio mais tarde.
A cultura Liangzhu era uma sociedade Neolítica que habitava nas margens do Delta do Rio Yangtzé, com avanços sociais, culturais e tecnológicos, especialmente na agricultura e aquacultura. Esses incluíam feitos de engenharia avançados, como canais, represas e reservatórios de água, levando o local a ser conhecido posteriormente como Veneza do Oriente.
No entanto, a civilização sofreu uma queda inexplicável há cerca de 4.300 anos, levando a sugestões de que caiu devido a uma enchente catastrófica, algo que parece ser comprovado por uma pequena camada de barro, mas sem ser uma prova definitiva, explica Christoph Spotl, geólogo da Universidade de Innsbruck, Áustria, em comunicado de quinta-feira (25) da instituição.
© Foto / Haiwei Zhang / Universidade de Innsbruck, ÁustriaEstalagmites e estalactites na caverna de Shennong, China
Estalagmites e estalactites na caverna de Shennong, China - Sputnik Brasil, 1920, 29.11.2021
Estalagmites e estalactites na caverna de Shennong, China
O estudo, liderado por Haiwei Zhang, da Universidade Xian Jiaotong, China, e publicado na revista Science Advances, teve em conta análises de formações minerais como estalagmites de duas cavernas subaquáticas na região do Delta do Rio Yangtzé.
Os resultados do estudo de cientistas internacionais, do qual Spotl participou, mostraram que na época do colapso da civilização houve precipitação extremamente elevada que destruiu até "as represas e canais sofisticados" do local, e forçou as pessoas a fugir. O evento parece ter durado décadas, podendo ter originado em grandes variações de temperaturas do vento e do mar no oceano Pacífico, conhecidas como El Niño-Oscilação do Sul.
Antes disso, houve um período de seca progressiva há cerca de 4.400 anos, que fez gradualmente parar a construção de represas. No entanto, ele foi mais tarde seguido por duas épocas de grande chuva entre 4.400 e 4.300 anos atrás, conforme indica a pesquisa.
"Nossos registros espeleoquímicos, junto com evidência geoquímica de depósitos de inundação acima da camada da cultura Liangzhu, sugerem que a chuva em massa na parte do meio e inferior do vale do rio Yangtzé pode ter induzido inundação fluvial e/ou inundações marinhas transportadas pela pluma do rio Yangtzé, e assim, impedido habitação humana e cultura do arroz", explicam os pesquisadores, acrescentando que a "fraca drenagem nas terras baixas" obrigou ao êxodo das pessoas.
© Foto / Haiwei Zhang / Universidade de Innsbruck, ÁustriaEstalagmites na caverna de Shennong, China
Estalagmites na caverna de Shennong, China - Sputnik Brasil, 1920, 29.11.2021
Estalagmites na caverna de Shennong, China
No período posterior a tal precipitação outras culturas tomaram temporariamente o lugar de Liangzhu. Mais tarde, outra megaseca teria levado ao colapso final das sociedades neolíticas na região. Nessa época, em 2.070 a.C., também foi fundada a dinastia chinesa Xia, considerada a primeira.
"Embora muitos documentos indiquem que o líder Yu [o Grande] construiu a dinastia Xia por ter gerido com sucesso a inundação de rios, alguns estudos sugerem que o controle de Yu sobre a inundação pode ser atribuída à mudança climática", resume a equipe de cientistas, notando que seus dados espeleóticos apoiam tal ideia.
"Esta observação oferece novas evidências robustas de que a ascensão da dinastia Xia ocorreu no contexto de uma grande transição do clima de úmido a seco, em linha com os registros históricos chineses e estudos anteriores", concluem os autores do estudo.
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