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Cientistas renunciam a prêmio após Bolsonaro retirar pesquisador contrário à cloroquina

© REUTERS / Adriano MachadoJair Bolsonaro, presidente do Brasil (sem partido), durante cerimônia de Programa Nacional de Crescimento Verde no Palácio Planalto em Brasília, Brasil, 25 de outubro de 2021
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil (sem partido), durante cerimônia de Programa Nacional de Crescimento Verde no Palácio Planalto em Brasília, Brasil, 25 de outubro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 06.11.2021
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Um grupo de 21 cientistas renunciou em carta aberta à Ordem Nacional do Mérito Científico atribuída por Jair Bolsonaro, que removeu a medalha a um especialista que se opôs ao medicamento.
Cientistas condecorados por Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, renunciaram à Ordem Nacional do Mérito Científico, depois que um deles foi retirado da lista por criticar o uso da cloroquina para tratamento contra a COVID-19, relata no sábado (6) o G1.
"Enquanto cientistas, não compactuamos com a forma pela qual o negacionismo em geral, as perseguições a colegas cientistas e os recentes cortes nos orçamentos federais para a ciência e tecnologia têm sido utilizados como ferramentas para fazer retroceder os importantes progressos alcançados pela comunidade cientifica brasileira nas últimas décadas", afirmou a carta publicada pelos cientistas no sábado (6).
O cientista revogado foi Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda, da Fiocruz, e Adele Benzaken, atual diretora da Fiocruz Amazônia, também foi excluída da condecoração. Os pesquisadores consideraram mesmo assim "gratificante" estarem presentes na lista.
© AFP 2022 / Douglas MagnoManifestante disfarçado de morte segura garrafa de cloroquina durante ato contra o presidente Jair Bolsonaro na Praça da Liberdade, Belo Horizonte, Brasil, 29 de maio de 2021
Manifestante disfarçado de morte segura garrafa de cloroquina durante ato contra o presidente Jair Bolsonaro na Praça da Liberdade, Belo Horizonte, Brasil, 29 de maio de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Manifestante disfarçado de morte segura garrafa de cloroquina durante ato contra o presidente Jair Bolsonaro na Praça da Liberdade, Belo Horizonte, Brasil, 29 de maio de 2021
Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), um dos cientistas mais influentes do mundo, e que já renunciou à medalha na sexta-feira (5), comentou em entrevista ao G1 que a "honraria era uma das coisas mais altas que um cientista pode almejar em termos de distinção", mas que "aceitar esta homenagem deste governo seria compactuar com o negacionismo, com a maneira como a pandemia tem sido enfrentada e com os cortes no orçamento científico do Brasil".
"Entretanto, a homenagem oferecida por um Governo Federal que não apenas ignora a ciência, mas ativamente boicota as recomendações da epidemiologia e da saúde coletiva, não é condizente com nossas trajetórias científicas", defendem os 21 cientistas na carta.
O uso da cloroquina e hidroxicloroquina, promovidas pelo atual presidente brasileiro durante a pandemia da COVID-19, não tem sido apoiado por estudos científicos, que apontam sua falta de eficácia no combate ao coronavírus. Especialistas epidemiológicos também têm criticado seu uso pela administração de Jair Bolsonaro.
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