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Pela 1ª vez, cartas de indígenas do século XVII são traduzidas do tupi para o português (FOTOS)

© Foto / Arquivo pessoal / Eduardo NavarroAssinatura de Felipe Camarão em carta enviada a Antônio Paraupaba em 4 de outubro de 1645, durante a Insurreição Pernambucana
Assinatura de Felipe Camarão em carta enviada a Antônio Paraupaba em 4 de outubro de 1645, durante a Insurreição Pernambucana - Sputnik Brasil, 1920, 05.11.2021
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"Por que faço guerra com gente de nosso sangue?" pergunta um dos indígenas nas cartas traduzidas por professor da USP. Material pertence ao período entre 1645 e 1654, quando aconteceu a Insurreição Pernambucana no Nordeste brasileiro.
Cartas escritas por indígenas no século XVIII durante a invasão holandesa no Nordeste foram traduzidas do tupi para o português pela primeira vez. O material é estudado desde o século XIX e até agora não tinha tradução.
A tradução foi executada pelo professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Navarro, relatou o G1.
De acordo com a mídia, as cartas apresentam diálogos de homens que lutavam entre si durante a guerra religiosa travada entre portugueses e holandeses, conhecida como Insurreição Pernambucana, entre 1645 e 1654.
© Foto / Arquivo pessoal / Eduardo NavarroCarta em tupi de Felipe Camarão a Pedro Poti, de 4 de outubro de 1645
Carta em tupi de Felipe Camarão a Pedro Poti, de 4 de outubro de 1645 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Carta em tupi de Felipe Camarão a Pedro Poti, de 4 de outubro de 1645
De um lado, os indígenas protestantes, apoiadores dos holandeses que invadiram o nordeste brasileiro; do outro, indígenas que defendiam o governo português.
"Por que faço guerra com gente de nosso sangue, se vocês são os verdadeiros habitantes desta terra? Será que falta compaixão para com nossa gente?", pergunta o líder indígena Felipe Camarão ao cacique Pedro Poti, em um dos textos.
Quase todos os documentos do período colonial foram escritos pelos colonizadores do Brasil, e, esses são os únicos textos conhecidos em tupi trocados por indígenas nesta época.
O idioma tupi era só falado, entretanto, os jesuítas criaram a representação escrita. Por isso, não são comuns documentos escritos redigidos pelos próprios indígenas.
© Foto / Arquivo pessoal / Eduardo NavarroCarta em tupi de Felipe Camarão a Pedro Poti, de 19 de agosto de 1645, traduzida pelo professor da USP, Eduardo Navarro
Carta em tupi de Felipe Camarão a Pedro Poti, de 19 de agosto de 1645, traduzida pelo professor da USP, Eduardo Navarro - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Carta em tupi de Felipe Camarão a Pedro Poti, de 19 de agosto de 1645, traduzida pelo professor da USP, Eduardo Navarro
As correspondências envolvem alguns dos principais combatentes da Insurreição Pernambucana, como Felipe Camarão, chefe nativo dos índios potiguares e alinhado aos interesses de Portugal. Durante a guerra, ele organizou diversas ações de guerrilha que se revelaram essenciais para conter o avanço dos holandeses no Nordeste brasileiro, segundo historiadores.
© Foto / Public domain / Museu do Estado de Pernambuco, Coleção Museus Brasileiros, edição Banco Safra, 2003Pintura retratando Filipe Camarão, chefe nativo dos índios potiguares e alinhado aos interesses de Portugal
Pintura retratando Filipe Camarão, chefe nativo dos índios potiguares e alinhado aos interesses de Portugal - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Pintura retratando Filipe Camarão, chefe nativo dos índios potiguares e alinhado aos interesses de Portugal
Nas cartas reveladas, Camarão pede a seus parentes Pedro Poti e Antônio Paraupaba, indígenas protestantes, que abandonassem os holandeses.
"Não pensem que se poupa a vida dos potiguaras, da gente nossa, por esses terem sido feitos chefes. Não pensem que os holandeses livram vocês de nós. Somente a vida deles é poupada", diz Felipe Camarão, em carta escrita para o líder indígena Pedro Poti.
Durante o processo de tradução, o professor conta que uma das principais dificuldades foi decifrar a letra e a ortografia das cartas, mas a importância de revelar a visão dos indígenas sobre a guerra entre Portugal e Holanda justificou o empenho na pesquisa.
Segundo a mídia, a tradução de Navarro deve ser publicada em breve pelo Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém, no Pará.
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