Empresas britânicas exigem que governo resolva crise energética e ameaçam com fechamento de fábricas

© REUTERS / Parlamento do Reino Unido / Jessica TaylorPrimeiro-ministro britânico Boris Johnson responde a perguntas no Parlamento, Londres, 23 de junho de 2021
Primeiro-ministro britânico Boris Johnson responde a perguntas no Parlamento, Londres, 23 de junho de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.10.2021
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A crise no setor energético atingiu toda a Europa, contudo, o Reino Unido tem sido o mais afetado, com o aumento geral dos preços tendo repercussões em outras indústrias do país.
De acordo com a associação comercial Oil and Gas UK, os preços no setor cresceram 70% em agosto deste ano, tendo subido 250% desde o início de 2021.
Sabendo isso, as empresas britânicas exortaram o governo de Boris Johnson a tomar medidas para reduzir os preços da energia, bem como a apoiar os industriais, advertindo que, caso falhe em fazê-lo, poderá ocorrer o encerramento de fábricas e, logo, o caos, informou a mídia local.
De acordo com o The Independent, durante uma videoconferência, Kwasi Kwarteng, secretário de Estado para as Empresas, Energia e Estratégia Industrial, teria dito que o governo estava "interessado em ajudar nossa base industrial", mas fontes relacionadas com a indústria informaram que Kwarteng não chegou a anunciar nenhuma ação, ou pelo menos não tinha dado garantias.
© REUTERS / Phil NobleMotorista passa por uma bomba de gasolina sem combustível em um posto de abastecimento da Shell no Reino Unido, 24 de setembro de 2021
Motorista passa por uma bomba de gasolina sem combustível em um posto de abastecimento da Shell no Reino Unido, 24 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Motorista passa por uma bomba de gasolina sem combustível em um posto de abastecimento da Shell no Reino Unido, 24 de setembro de 2021
Gareth Stace, diretor da UK Steel, associação de fabricantes da indústria siderúrgica, disse que o governo tem que tomar medidas agora, pois "os preços da energia são tão altos que algumas empresas foram forçadas a suspender a produção, mesmo em um momento em que o mercado do aço é incrivelmente saudável. Não podemos esperar até o Natal ou depois, ou mesmo algumas semanas. Precisamos agir agora, tem que ser uma ação rápida e decisiva".
A declaração de Stace foi ecoada pelo diretor-geral da Confederação das Indústrias de Papel, Andrew Large, que advertiu para a existência de "sérios riscos de paralisações de fábricas em resultado dos custos do gás serem demasiado altos de suportar".

Crise em Downing Street

O apelo para uma ação rápida foi apoiado por vários deputados da ala conservadora, que instaram os ministros a tomarem medidas contra o aumento dos preços.
O Escritório de Mercados de Gás e Eletricidade (Ofgem) advertiu sobre um aumento "significativo" dos custos de aquecimento para os britânicos entre março e maio.
Na verdade, o Ofgem já aumentou o teto do preço da energia - o preço máximo que os fornecedores estão autorizados a cobrar aos clientes - para £1.277 (cerca de R$ 9.582). Porém, fontes da indústria contaram ao The Independent que o Reino Unido pode vir a registrar uma subida de 34%, com os preços disparando para £1.700 (aproximadamente R$ 12.756) por ano.
A atual crise energética tem sido exacerbada pela escassez de motoristas de veículos pesados (HGV, na sigla em inglês) no país, o que, por sua vez, leva a problemas com o fornecimento de combustível e a interrupção das entregas de bens alimentares às redes de supermercados. O Partido Trabalhista, na oposição, culpou o governo de Boris Johnson pela crise.
© REUTERS / PHIL NOBLEConsumidor passa por prateleiras vazias no corredor de carnes de um supermercado em Manchester, Reino Unido, em 21 de setembro de 2021
Consumidor passa por prateleiras vazias no corredor de carnes de um supermercado em Manchester, Reino Unido, em 21 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Consumidor passa por prateleiras vazias no corredor de carnes de um supermercado em Manchester, Reino Unido, em 21 de setembro de 2021
Muitos funcionários do setor já alertaram que os festejos de Natal correm o risco de ser cancelados se as autoridades nacionais não conseguirem encontrar uma solução em breve. Parece, no entanto, que a situação já se tornou demasiado ruim, uma vez que o Gabinete de Estatísticas Nacionais revelou que um em cada seis adultos no Reino Unido não conseguiu comprar alimentos essenciais nas lojas nas últimas semanas.

Outras possíveis causas da crise energética

Como foi anteriormente mencionado, a crise no setor energético está afetando todas as nações europeias, bem como vários países da Ásia, mas o Reino Unido tem sido a nação mais atingida.
Especialistas destacam vários fatores que também têm contribuído para o problema, tais como o inverno frio do ano passado (no Hemisfério Norte) que pressionou o abastecimento, e que, posteriormente, levou à sua demanda crescente; a competição pelo fornecimento de gás natural liquefeito entre a Europa e a Ásia; a queda significativa no fornecimento de energias renováveis devido à escassez de vento entre junho e agosto; e um incêndio recente em uma usina britânica que danificou um cabo de energia que fornecia eletricidade da França para o Reino Unido.
Segundo relata a BBC, citando uma fonte do governo, as autoridades estão agora trabalhando com o setor "em suas sugestões". Relatos dizem que a introdução de um limite de preço para os fornecedores de energia estaria entre as sugestões apresentadas.
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