Colapso do Afeganistão pode ter sido causado por acordo de Trump com Talibã, diz general dos EUA

© REUTERS / Rod LamkeyLloyd Austin, secretário da Defesa dos EUA, Mark Milley, general e presidente do Estado-Maior, e Kenneth F. McKenzie, chefe do Comando Central dos EUA, durante audiência do Comitê de Serviços Armados da Casa dos Representantes no Edifício do Escritório da Casa Rayburn em Washington, EUA, 29 de setembro de 2021
Lloyd Austin, secretário da Defesa dos EUA, Mark Milley, general e presidente do Estado-Maior, e Kenneth F. McKenzie, chefe do Comando Central dos EUA, durante audiência do Comitê de Serviços Armados da Casa dos Representantes no Edifício do Escritório da Casa Rayburn em Washington, EUA, 29 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 30.09.2021
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Em agosto os EUA realizaram uma evacuação aérea maciça e caótica do Afeganistão de civis locais e militares norte-americanos, que foi precedida por vitórias rápidas do Talibã.
O colapso do governo do Afeganistão e de suas forças militares tem sua origem no acordo de retirada dos militares dos EUA assinado em fevereiro de 2020 pelo Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) e pelos EUA em Doha, Catar, disseram na quarta-feira (29) altos responsáveis de Defesa dos EUA.
"A assinatura do acordo de Doha teve um efeito realmente pernicioso sobre o governo do Afeganistão e sobre seus militares, psicológicos mais do que qualquer outra coisa, mas estabelecemos uma data – certa para quando partiríamos e quando eles poderiam esperar que toda a assistência terminasse", apontou o general Frank McKenzie, chefe do Comando Central dos EUA, em audiência no Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes norte-americana.
O acordo, assinado durante a administração norte-americana de Donald Trump (2017-2021) previa a retirada completa das forças norte-americanas do Afeganistão até maio de 2021. Com a entrada de Joe Biden no cargo em janeiro de 2021, ele acabou adiando o prazo até o limite de 11 de setembro, data do 20º aniversário dos ataques terroristas de 2001 nos EUA, que levaram diretamente à invasão do Afeganistão por Washington em outubro desse ano.
Segundo McKenzie, a redução por Biden da presença das tropas norte-americanas para menos de 2.500 a partir de abril acelerou a queda do governo afegão e de suas forças militares.
Lloyd Austin, secretário de Defesa dos EUA, concordou com a análise, acrescentando que pelo acordo de Doha o país norte-americano se comprometeu a parar com os ataques aéreos contra o Talibã e "assim o Talibã ficou mais forte, eles aumentaram suas operações ofensivas contra as forças de segurança afegãs, e os afegãos estavam perdendo muita gente semanalmente".
Na terça-feira (28), o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse que apesar do "sucesso logístico" na retirada de militares e civis do Afeganistão, a saída do país asiático foi um "fracasso estratégico".
Após rápidas vitórias do Talibã a partir de agosto, os EUA completaram oficialmente sua retirada militar do Afeganistão em 30 de agosto, permitindo a evacuação de mais de 100.000 civis do país e também de militares norte-americanos, mas relatos indicam que muitos cidadãos afegãos vulneráveis e forças de Washington permaneceram no país asiático. Além disso, ocorreram ataques terroristas durante o processo no Aeroporto Internacional de Cabul.
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