Com AUKUS no Pacífico, China entenderá que 'seus truques não funcionarão mais', diz veterano indiano

© AP Photo / Chris DicksonFuzileiros navais dos EUA e militares australianos na base militar de Robertson, Austrália
Fuzileiros navais dos EUA e militares australianos na base militar de Robertson, Austrália - Sputnik Brasil, 1920, 18.09.2021
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A aliança trilateral AUKUS, recentemente formada pelos EUA, Austrália e Reino Unido, reacendeu o debate sobre a proliferação de armas nucleares, uma vez que a Austrália deverá adquirir submarinos atômicos norte-americanos no quadro do novo acordo.
A China, por seu lado, criticou a nova parceria trilateral ocidental, chamando-a de "extremamente irresponsável" e afirmando que poderia "comprometer seriamente a paz e a estabilidade regionais, bem como intensificar a corrida armamentista".
A Sputnik falou com o capitão DK Sharma, antigo porta-voz da Marinha da Índia, aposentado desde agosto de 2019, sobre o impacto da aliança AUKUS.

Impactos diretos da AUKUS na região

Quando questionado se a AUKUS poderia aumentar as tensões no Pacífico e em outras regiões, Sharma disse não crer que tal aconteça.
Em sua perspectiva, a "AUKUS tem um propósito: em primeiro lugar, aumentar a capacidade militar de uma nação, isto é, a Austrália. A Austrália disse que agora vai comprar armas que serão mais letais. Foi deixado claro que existe uma ameaça por parte da China".
© AP Photo / Especialista de Comunicação em Massa de 2ª Classe Markus CastanedaMilitar observa o horizonte na casa do piloto enquanto o destróier USS John S. McCain conduz operações de rotina em andamento em apoio à estabilidade e segurança para um Indo-Pacífico livre e aberto, no Estreito de Taiwan
Militar observa o horizonte na casa do piloto enquanto o destróier  USS John S. McCain conduz operações de rotina em andamento em apoio à estabilidade e segurança para um Indo-Pacífico livre e aberto, no Estreito de Taiwan - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Militar observa o horizonte na casa do piloto enquanto o destróier USS John S. McCain conduz operações de rotina em andamento em apoio à estabilidade e segurança para um Indo-Pacífico livre e aberto, no Estreito de Taiwan
Se a China está tentando mostrar seus músculos, pressionando países menores, menos desenvolvidos ou nações menos poderosas da região, a resposta a isso é a formação de alianças militares, e a AUKUS é agora uma delas.
A razão para a formação da AUKUS é muito clara. Os EUA e o Reino Unido vão conceder suas tecnologias, incluindo submarinos movidos a energia nuclear, à Austrália.

Submarinos e recente reação da França

Apesar de ainda não ser totalmente claro quais as armas a fornecer, é possível que os submarinos SSN sejam a resposta para os submarinos SSNs/SSBNs chineses que circulam pelo Indo-Pacífico. O gigante asiático tem 18 submarinos movidos a energia nuclear, 14 dos quais devem estar operacionais.
Apesar de os líderes dos três países da AUKUS terem afirmado que a criação da aliança não visa nenhum país em concreto, esta coalizão militar poderá ter a capacidade de dar uma resposta mais firme e assertiva a Pequim na região em causa.
© Foto / H I Sutton para a Marinha dos EUAProjeto do submarino Virginia SSN para a Marinha dos EUA
Projeto do submarino Virginia SSN para a Marinha dos EUA - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Projeto do submarino Virginia SSN para a Marinha dos EUA
Relativamente à posição da França, que se sente atraiçoada, o capitão Sharma acredita que "não se deve dar demasiada atenção às reações emocionais, porque isso é a parte comercial das relações. A França tem interesses na região do Indo-Pacífico, Pacífico Ocidental e oceano Índico [...] Naturalmente, é um percalço para Paris, mas muito temporário. As relações entre países não devem ser medidas em termos dos negócios em curso".
A Índia tem desenvolvido um forte relacionamento com a França e a Austrália nos últimos dois anos, mas o capitão Sharma assegura que "nada vai acontecer", quando questionado se Nova Deli poderia ser apanhada em meio às tensões criadas entre os dois países ocidentais mencionados.

Vizinhos problemáticos

A Sputnik apontou o fato de que o Paquistão e o Bangladesh, países vizinhos da Índia, têm vindo a adquirir submarinos da China. Sabendo isso, e caso Pequim disponibilize tecnologia e submarinos militares aos vizinhos da Índia, como poderia isso afetar a Marinha indiana?
Sharma remata que "não se pode prever nada quanto à China". O gigante asiático utiliza o porto marítimo paquistanês e tem fornecido submarinos à Marinha do Bangladesh. A China também está fabricando barcos de propulsão aérea independente (AIP, na sigla em inglês) para o Paquistão. Por esses motivos, "a Marinha indiana está atenta a tudo o que está acontecendo nesses países".
© AP Photo / Mohammad FarooqNavio de guerra da China participa de exercício Aman no mar Arábico, ao largo de Karachi, Paquistão, 15 de fevereiro de 2021
Navio de guerra da China participa de exercício Aman no mar Arábico, ao largo de Karachi, Paquistão, 15 de fevereiro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Navio de guerra da China participa de exercício Aman no mar Arábico, ao largo de Karachi, Paquistão, 15 de fevereiro de 2021
Sobre o que fará a China após a oficialização da nova aliança trilateral AUKUS, Sharma acredita que Pequim “fará o que tem vindo a fazer”. Contudo, de momento, os países democráticos e suas marinhas "estão se reunindo para poderem controlar um tipo de nação que tenta exercer pressão através de vários meios duvidosos [...] sem mostrar qualquer tipo de consideração pelas regras e regulamentos em alto mar".
Desse jeito, o antigo porta-voz da Marinha indiana espera que, com o início de atividades da AUKUS, Pequim perceba que "seus truques não funcionarão mais".
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