Plano do Irã de produzir urânio metálico é resultado da pressão dos EUA, afirma embaixador da Rússia

© AP Photo / Presidência do IrãEx-presidente do Irã, Hassan Rouhani, ouve o presidente da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, durante sua visita à exposição das conquistas nucleares em Teerã, 10 de abril de 2021
Ex-presidente do Irã, Hassan Rouhani, ouve o presidente da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, durante sua visita à exposição das conquistas nucleares em Teerã, 10 de abril de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 11.07.2021
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As negociações entre o Irã e outras partes do acordo nuclear seguem muito avançadas, mas depende dos EUA assumir e cumprir seus compromissos, relatou representante internacional da Rússia.

Os planos do Irã para produzir urânio metálico são o resultado da política hostil dos EUA, disse Mikhail Ulyanov, representante permanente da Rússia junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena, Áustria.

"O Irã, pela primeira vez na prática de países não nucleares, começou a enriquecer o urânio até 60%, e agora está começando a produção de urânio metálico enriquecido a 20%. Não creio que ninguém nos EUA esteja satisfeito com estas circunstâncias, mas é precisamente o resultado direto da política de máxima pressão, que, aliás, ainda continua", disse ele no domingo (11) ao jornal Kommersant, em referência à abordagem iniciada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump (2017-2021).

Ao mesmo tempo, segundo Ulyanov, a direção da política iraniana, que adversários norte-americanos do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) reconhecem ser resultado da política fracassada de Washington, é preocupante.

Segundo Ulyanov, os EUA aceitam a reentrada no JCPOA, mas apenas com o cumprimento integral do acordo pelo Irã.

Os ministros da Relações Exteriores do Reino Unido, França e Alemanha expressaram na terça-feira (6) sua preocupação com a intenção do governo iraniano de produzir urânio metálico enriquecido a 20%, tachando a ação de violação séria do JCPOA. O Departamento de Estado dos EUA também criticou os planos de Teerã.

Em relação às conversações sobre o JCPOA, que ele referiu terem atingido 90%, Mikhail Ulyanov reconheceu que "há algumas questões politicamente sensíveis entre os 10% restantes que podem causar um contratempo. Isso não pode ser descartado", e, por exemplo, "se há garantias de que a epopeia que aconteceu sob Donald Trump não se repetirá e trará resultados desastrosos".

Na opinião do diplomata russo, é possível que, se as negociações correrem bem, já em agosto Washington retirará as sanções principais contra Teerã, cujo beneficiário principal, mas não único, será o setor petrolífero.

"Quanto mais cedo chegarmos a um acordo sobre a restauração do JCPOA, mais cedo resolveremos isto", explicou o representante permanente da Rússia em organizações internacionais, em referência aos níveis de enriquecimento de urânio de Teerã.

Acordo nuclear desde o início

O JCPOA foi assinado em julho de 2015 pela Alemanha, China, EUA, França, Irã, Reino Unido, Rússia, e União Europeia, com o objetivo de restringir o programa nuclear iraniano em troca de alívio de sanções ao país, foi aderido pela então administração norte-americana de Barack Obama (2009-2017), mas abandonado por Donald Trump em 2018, que reimpôs sanções ao país persa.

Isso levou Teerã a começar a violar gradualmente os compromissos do acordo em 2019. A administração de Joe Biden, que se iniciou em 20 de janeiro de 2021, já indicou uma mudança na política iraniana, mas ainda mantém as sanções previamente impostas.

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