COVID-19 poderia ter ondas mais graves tal como gripe espanhola de 1918, diz estudo

© AP Photo / Eraldo PeresEquipe de resgate chega ao hospital com paciente com suspeita de COVID-19 em Brasília, 23 de março de 2021
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Amostras antigas revelaram que o vírus da gripe espanhola de 1918, que causou a pandemia nesses anos, sofreu mutações, algo que também acontece com o novo coronavírus. A descoberta poderia explicar por que as ondas posteriores da gripe espanhola foram piores do que a primeira.

O vírus que causou a pandemia da gripe espanhola ainda circula. No entanto, era muito mais mortal então, principalmente porque somos descendentes de pessoas que sobreviveram à infecção há mais de 100 anos e herdamos alguma forma de imunidade genética, revelou o autor principal do estudo, Sébastien Calvignac-Spencer.

Para entender se as novas variantes do vírus influenza foram piores, os cientistas estudaram seis pulmões humanos datados dos anos da pandemia de 1918 e 1919, conservados em formalina, em arquivos de patologia na Alemanha e Áustria. Os pesquisadores determinaram que os três pulmões contêm vírus influenza.

Os resultados da pesquisa, publicada no portal bioRxiv, sugerem que o vírus sofreu uma mutação para se tornar mais eficaz entre a primeira onda e as ondas posteriores, evoluindo para melhor superar as defesas celulares contra a infecção, disse Calvignac-Spencer.

As mutações genéticas que surgiram entre a primeira e a segunda ondas podem ter feito com que o vírus se adaptasse melhor à propagação entre os humanos do que entre as aves, seus hospedeiros naturais.

Outra mutação pode ter mudado a forma como o vírus interage com a proteína humana Mxa, que ajuda a realizar a resposta imune do corpo a novos patógenos.

© AP Photo / Biblioteca do Congresso dos EUA / Edward A. "Doc" Rogers / HandoutEnfermeiras voluntárias da Cruz Vermelha dos EUA atendem pacientes com gripe espanhola nos EUA
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Enfermeiras voluntárias da Cruz Vermelha dos EUA atendem pacientes com gripe espanhola nos EUA
Embora os cientistas não saibam ao certo como as mutações genéticas mudaram o comportamento do vírus, "supõe-se que estas mudanças ajudaram o vírus a evitar um dos mecanismos que as células [humanas] utilizam para desativar os vírus da gripe", segundo Calvignac-Spencer.

"É interessante fazer paralelos, por exemplo, o fato de ter havido múltiplas ondas sucessivas é um padrão intrigante", disse o cientista sobre a comparação da pandemia de 1918 e a pandemia da COVID-19.

Os cientistas podem saber hoje mais sobre a pandemia da COVID-19 do que jamais poderiam sobre a da gripe espanhola. Quanto mais os pesquisadores aprenderem sobre a pandemia atual, tanto mais entenderão a pandemia anterior, e não o contrário, revelou o cientista.

Um avanço significativo foi os pesquisadores terem conseguido sequenciar com precisão o genoma do vírus em tecido humano preservado em formalina por mais de 100 anos, o que era difícil até agora.

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