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CPI: diretor do Butantan diz que Brasil poderia ter sido 1º país do mundo a vacinar

© Folhapress / Mateus Bonomi/AgifDiretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, presta depoimento na CPI da Covid, no Senado, em Brasília
Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, presta depoimento na CPI da Covid, no Senado, em Brasília - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2021
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Em depoimento à CPI da Covid, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que, em julho de 2020, governo foi avisado sobre avanços nos estudos da CoronaVac e houve oferta de 60 milhões de doses.

De acordo com Dimas Covas, o Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a imunização contra a COVID-19, mas "percalços" com o governo do presidente Jair Bolsonaro para fechar um contrato impediram a antecipação da vacinação.

"O mundo começou a vacinar no dia 8 de dezembro. No final de dezembro, o mundo tinha aplicado mais de quatro milhões de doses, e tínhamos no Butantan 5,5 milhões, e mais quatro milhões em processamento. Sem contrato com o ministério. Nós podíamos ter começado antes? O Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação, se não fossem esses percalços, tanto contratuais como de regulamentação", afirmou. 

Dimas Covas: fala de Bolsonaro atrasou contato

Depois, o Butantan ainda fez propostas para o governo federal em agosto e outubro. Dimas Covas afirmou que, em outubro, as negociações pareciam estar se caminhando para um desfecho, mas que tudo mudou em função da resistência de Bolsonaro a aceitar a vacina chinesa. 

"Tudo aparentemente estava indo muito bem, tanto que em 20 de outubro fui convidado pelo [ex-]ministro [Eduardo] Pazuello para uma cerimônia no Ministério da Saúde em que a vacina seria anunciada como uma vacina [do PNI], com a incorporação de 46 milhões de doses", disse Covas.

Pazuello chegou a anunciar o contrato, mas, logo após o presidente da República se manifestou contra a compra da CoronaVac. Bolsonaro chegou a argumentar na época que os brasileiros não seriam "cobaias". 

"A partir desse ponto, é notório que houve uma inflexão. E digo isso porque saímos de lá muito satisfeitos e achávamos que, de fato, teríamos resolvido parte desse problema. No outro dia, de manhã, as conversações adicionais não seguiram porque houve uma manifestação do presidente da República dizendo que a vacina não seria incorporada", disse.

O acordo acabou sendo fechado em janeiro de 2021, seis meses após primeira oferta. A CoronaVac é a vacina contra o coronavírus que mais foi aplicada no Brasil. Segundo Dimas Covas, o Butantan poderia ter entregue 100 milhões de doses até maio deste ano, mas, em virtude da demora para assinar o contrato, o prazo foi estabelecido para setembro.

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