Estudo demonstra que afinal Reino Unido e Canadá se sacrificaram mais no Afeganistão do que EUA

© REUTERS / Asmaa WaguihFuzileiros navais dos EUA disparam durante uma emboscada do Talibã enquanto realizam operação na província de Helmand, Afeganistão (foto de arquivo)
Fuzileiros navais dos EUA disparam durante uma emboscada do Talibã enquanto realizam operação na província de Helmand, Afeganistão (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2021
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Os últimos 20 anos são marcados pela incessante e violenta Guerra do Afeganistão, que começou com a invasão do território afegão pelos EUA para combater Talibã e Al-Qaeda (ambas organizações terroristas proibidas na Rússia e em outros países).

Um estudo publicado nesta quarta-feira (12), intitulado Custos da Guerra, mostra uma espécie de escala de sacrifício feito pelos membros da OTAN envolvidos no conflito afegão, reporta o jornal The Guardian.

Segundo o estudo, as forças britânicas e canadenses teriam o dobro da probabilidade, ou mais, de serem mortas em combate do que seus aliados norte-americanos. De igual modo, o Reino Unido contribuiu mais para a guerra do que os Estados Unidos no setor econômico e de assistência humanitária.

O estudo Custos da Guerra compara as porcentagens de perdas militares entre os três países: Estados Unidos perderam 2,3% de sua vasta presença militar, ao passo que o Reino Unido teve 455 vidas sacrificadas, o que corresponde a 4,7% do pico de suas capacidades militares, e o Canadá, com 158 soldados mortos, perdeu 5,4% do seu total de forças militares enviadas para o conflito.
© REUTERS / Assessoria de imprensa do Ministério da DefesaCerimônia de entrega no Campo Anthonic, do Exército dos EUA para as Forças de Defesa do Afeganistão, na província de Helmand, Afeganistão, 2 de maio de 2021
Estudo demonstra que afinal Reino Unido e Canadá se sacrificaram mais no Afeganistão do que EUA - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2021
Cerimônia de entrega no Campo Anthonic, do Exército dos EUA para as Forças de Defesa do Afeganistão, na província de Helmand, Afeganistão, 2 de maio de 2021

Segundo o estudo, durante estadia em solo afegão, as tropas norte-americanas no Afeganistão se referiam à sigla ISAF (Força de Assistência de Segurança Internacional) como "I Saw Americans Fight" ("Eu vi americanos lutando"), uma piada que, na verdade, é injusta ante os sacrifícios militares feitos por Reino Unido e Canadá.

"Os americanos não entendem totalmente, não reconhecem, os sacrifícios que os aliados fizeram no Afeganistão", afirmou Jason Davidson, autor do estudo e professor de Ciência Política da Universidade de Mary Washington, nos EUA, citado pelo jornal britânico.

Custos da Guerra ecoa outro estudo publicado em dezembro de 2020, da autoria de um grupo britânico chamado Ação contra Violência Armada. Segundo a pesquisa, os soldados britânicos teriam uma probabilidade de serem mortos 12% mais alta do que as tropas dos EUA na "guerra contra o terror" travada no Afeganistão e no Iraque.

© AFP 2022 / WAKIL KOHSAR / Abrir o banco de imagensSoldado da OTAN atingido por explosão do carro-bomba no Afeganistão
Estudo demonstra que afinal Reino Unido e Canadá se sacrificaram mais no Afeganistão do que EUA - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2021
Soldado da OTAN atingido por explosão do carro-bomba no Afeganistão

No que toca ao Canadá, Elinor Sloan, professora de Relações Internacionais da Universidade de Carlton em Ottawa, explicou que a porcentagem relativamente alta de vítimas canadenses deveu-se, em parte, à falta de veículos resistentes a minas e helicópteros de guerra, refere o The Guardian.

No entanto, quando uma guerra dura duas décadas, isso significa que o número de fatalidades deve ser ainda maior. De ambos os lados, em média, cerca de 70 mil combatentes perderam suas vidas no campo de batalha, enquanto as baixas civis rondam os 50 mil.
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