Pesquisadores desmistificam segredos da colonização da Austrália

© Foto / Pixabay / flok85Outback australiano (imagem referencial)
Outback australiano (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 05.05.2021
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Pesquisa traça rotas de como os primeiros australianos desbravaram o território cerca de 60 mil anos atrás e cria modelo de "super-rodovias" que teriam levado à colonização do país.

Estudiosos acreditam que o primeiro povo da Austrália tenha chegado quando o continente era um lugar muito maior, com níveis do mar mais baixos conectando Papua Nova Guiné e Tasmânia ao que hoje conhecemos como Austrália moderna, formando o megacontinente de Sahul.

Uma nova pesquisa do Centro de Excelência para Biodiversidade e Patrimônio Australiano do Conselho de Pesquisa Australiano mostra os caminhos que provavelmente foram trilhados pelos antigos povos aborígenes enquanto se moviam através do continente, de Kimberley até a Tasmânia. O professor Corey Bradshaw da Universidade Flinders é um pesquisador que mapeou as rotas.

"Nós realmente queríamos entender não apenas como eles chegaram aqui, mas o que eles fizeram quando chegaram aqui", declarou ele.

Os modelos pegam dados de arqueólogos, antropólogos, ecologistas, geneticistas, climatologistas, geomorfologistas e hidrólogos e analisam as informações para chegar às rotas mais prováveis em todo o país.

'Super-rodovias' para 'supermigrantes'

Os modelos pressupõem que os primeiros australianos desembarcaram na costa da Austrália Ocidental, em torno da região de Kimberley, cerca de 60 mil anos atrás, e em apenas 6 mil anos eles haviam se estabelecido em todo o país, desde o extremo norte dos trópicos até o extremo sul da Tasmânia.

"Este é um dos primeiros grandes eventos de migração fora da África, em toda a história dos humanos modernos", disse o professor Bradshaw. "Você sabe, as pessoas provavelmente vieram da África […] em 10 a 15 mil anos e então 'bam', eles estavam na Austrália", disse ele.

As superestradas têm semelhanças impressionantes com as atuais rodovias e rotas de estoque da Austrália, e o professor Bradshaw disse que há um bom motivo para isso.

"O fato de que eles colonizaram todo este continente tão rapidamente e estabeleceram essas relações de longo prazo sugere que, sim, houve histórias orais transmitidas por dezenas de milênios", disse ele.

De acordo com a pesquisa, as super-rodovias que saíram de alguns dos modelos, na verdade, parecem combinar muito com as antigas rotas de estoque e as linhas de comércio aborígenes que conhecemos.

© Foto / Peter Veth and the Balanggarra Aboriginal Corporation, Illustration: Pauline HeaneyExemplo mais antigo de pintura rupestre da Austrália que tem entre 17.100 e 17.500 anos
Pesquisadores desmistificam segredos da colonização da Austrália  - Sputnik Brasil, 1920, 05.05.2021
Exemplo mais antigo de pintura rupestre da Austrália que tem entre 17.100 e 17.500 anos

Embora os modelos mostrem as rotas mais prováveis com base nos dados disponíveis, eles não são definitivos e os pesquisadores esperam colaborar com a comunidade indígena para preencher as lacunas. Com décadas de experiência como historiadora e arqueóloga indígena, a professora Lynette Russell disse que tanto a ciência quanto as histórias têm um lugar na descoberta da história indígena.

"Ninguém tem 70 mil anos de história oral, mas isso não significa que não haja histórias profundas associadas à terra", disse Russell. "Acho que nessas histórias, e particularmente nessas canções e versos de canções, podemos encontrar informações que correspondem, mas também podem contradizer a abordagem dos cientistas."

Russell disse que os novos mapas são um ponto de partida, ao invés de fatos exatos, quando se trata da história aborígine. "Eles são construídos com base em evidências, evidências científicas e evidências arqueológicas com frequência, mas ainda são um modelo e acho que é importante lembrar – eles não são rígidos e fechados, são flexíveis", explicou ela.

Quando se trata de encontrar mais respostas sobre o passado, os dois acadêmicos concordam que a colaboração é a chave. "Somos parceiros, estamos trabalhando em seu material em seu país, é seu patrimônio, e nós como pesquisadores, indígenas ou não, devemos respeitar suas tradições, seus protocolos e suas expectativas."

É o trabalho que o professor Bradshaw deseja que sua equipe realize em seguida. "Queremos estender isso para períodos posteriores", disse ele.

"Ter esse tipo de múltiplas camadas culturais, de certo modo, validando as previsões científicas, é uma verdadeira união do conhecimento indígena com o conhecimento ocidental e isso é um próximo passo empolgante", concluiu.
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