Na França, fracasso da Lei do Clima coloca Macron como impostor, diz jornal

© AP Photo / Francois MoriPresidente da França, Emmanuel Macron discursa durante reunião com líderes do G5 Sahel por videoconferência, em Paris, França, 16 de fevereiro de 2021
Presidente da França, Emmanuel Macron discursa durante reunião com líderes do G5 Sahel por videoconferência, em Paris, França, 16 de fevereiro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 01.04.2021
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A Lei para o Clima e Resiliência, enviada nesta semana pelo governo da França para apreciação do Parlamento, é apontada por cientistas e entidades como insuficiente para colocar o país rumo à transição ecológica.

Em meio aos problemas da COVID-19 na França, que precisou entrar novo lockdown nesta semana, o presidente Emmanuel Macron enfrenta forte oposição de ambientalistas e ecologistas em função dos problemas com a sua Lei sobre o Clima.

Instituições independentes e do próprio governo analisaram os 69 artigos do projeto e concluíram que as propostas não serão suficientes para a França cortar 40% das emissões de gases de efeito estufa até 2030. Os especialistas acham improvável que o país atinja a neutralidade carbono em 2050, como se comprometeu.

O governo de Emmanuel Macron país conseguiu reduzir em 1% ao ano as emissões de carbono, mas deveria triplicar o índice para conseguir cumprir as promessas, escreve a Rádio França Internacional.

A Lei do Clima foi um projeto que nasceu do governo de Macron com grandes ambições. Ela direcionaria o país para uma economia sustentável em torno de cinco eixos: transportes, alimentação, consumo, produção e trabalho. O governo francês alega que o texto final inclui medidas eficazes e aceitáveis no contexto atual.

Porém, os ambientalistas indicam que, em meio a uma crise causada pelo coronavírus, Macron cedeu às pressões que sustentam a indústria francesa, como a automobilística, aeronáutica e alimentícia. Entre estas, o temor é de que a nova lei possa afetar a recuperação econômica francesa pós-pandemia.

A Lei do Clima na França

Importante lembrar que a Lei do Clima, que era para ser um movimento histórico dentro da Europa, se tornou uma armadilha para o governo francês. No início do mandato, Macron organizou um plenário inédito de discussão sobre o assunto, a Convenção Cidadã sobre o Clima.

Foram sorteados 150 cidadãos no país inteiro para participar e elaborar propostas da nova lei ambiental, em vigor pelos próximos dez anos. O problema é que a maioria das 149 recomendações foram consideradas ambiciosas demais pelo governo.

O projeto de lei atual contempla quase a metade das sugestões. Porém, de alguma forma, parte substancial do projeto idealizado pela sociedade civil foi subtraído. Foram banidas, por exemplo, as ideias de regulação da publicidade dos poluentes e incentivos para a mobilidade sustentável.

© AP Photo / SIPA / PoolO presidente da França, Emmanuel Macron (à esquerda) e o líder indígena Kayapó, Raoni Metuktire, durante encontro no Palácio do Eliseu, em 16 de maio de 2019.
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O presidente da França, Emmanuel Macron (à esquerda) e o líder indígena Kayapó, Raoni Metuktire, durante encontro no Palácio do Eliseu, em 16 de maio de 2019.

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