Especialista explica como empresas petrolíferas poderiam regressar à Venezuela

© REUTERS / Handout / Palácio MirafloresNicolás Maduro, presidente da Venezuela, aplaude durante evento na sede da empresa petrolífera estatal PDVSA, em Caracas, Venezuela, 19 de fevereiro de 2021
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, aplaude durante evento na sede da empresa petrolífera estatal PDVSA, em Caracas, Venezuela, 19 de fevereiro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 23.03.2021
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Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, expressou disponibilidade para permitir investimentos do setor petrolífero privado no país, em meio à queda da produção nacional.

As empresas petrolíferas estão considerando voltar à Venezuela, depois que Nicolás Maduro, presidente do país, sinalizou que estava pronto para acabar com o monopólio da empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA, na sigla em espanhol) e abrir a indústria para investimento estrangeiro no início deste ano, escreveu na sexta-feira (19) a agência Bloomberg.

Empresas pequenas poderão entrar no mercado antes de grandes produtoras como a Chevron dos EUA, Rosneft da Rússia, Total SE da França, Eni SpA da Itália, Shell dos Países Baixos, bem como outras dos EUA e China, que aguardam o cancelamento de sanções ao setor petrolífero venezuelano imposto por Joe Biden, presidente dos EUA, segundo a mídia.

Caracas diz que as sanções dos EUA apenas proíbem conduzir negócio com a PDVSA, o governo Maduro e os que estiverem ligados a ele. As empresas investidoras também precisarão de confiança regulatória em projetos a longo prazo, "pois é preciso ter confiança de que as autoridades não mudarão as regras do jogo a cada seis meses", afirmou Mamdouh G. Salameh, economista internacional de petróleo e professor de Economia de Energia na ESCP Business School de Londres, Reino Unido.

Ele sublinhou à Sputnik que a Venezuela "será sempre um ponto focal para investimentos petrolíferos globais, com grandes empresas petrolíferas esperando obter uma fatia de sua espetacular riqueza petrolífera", e reservas mundiais comprovadas de petróleo bruto de 303,8 bilhões de barris, estimadas em US$ 19,75 trilhões (R$ 109,21 trilhões).

"Somente a Venezuela representa 92% das reservas petrolíferas comprovadas da América Latina", comenta.

Condições para mudança

No entanto, devido à degradação de capital e tecnologia nos últimos 15 ou 20 anos, o setor petrolífero do país sul-americano não poderá contar só com empresas pequenas, e para isso será vital suspender as sanções norte-americanas, referiu Francis Perrin, membro sênior do Centro de Políticas para o Novo Sul em Rabat, Marrocos, e do Instituto Francês para Assuntos Internacionais e Estratégicos, em Paris, França, à Sputnik.

Uma possível entrada de empresas norte-americanas "poderia aumentar o comércio de petróleo entre os Estados Unidos e a Venezuela, particularmente [dado] que a Venezuela possui algumas refinarias no Texas [nos EUA] especialmente equipadas para refinar o petróleo bruto extrapesado venezuelano", antevê Salameh.

"Também ajudará a resolver questões legais sobre a refinaria de propriedade venezuelana Citgo e outros ativos nos Estados Unidos." A Chevron e a Rosneft também seriam preferidas na exploração do hidrocarboneto no país latino-americano devido à grande experiência que têm no país, de acordo com Mamdouh G. Salameh.

Ainda não se sabe se Biden mostrará "um rosto mais humanitário" para "aliviar a miséria e o sofrimento do povo venezuelano e preparar o caminho para um acordo político", avisa o especialista, mas essa probabilidade é reduzida devido à administração Biden ter deixado claro em 12 de março que não negociaria em breve com Maduro, e continuaria apoiando Juan Guaidó, ex-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e autodeclarado presidente interino do país.

Petróleo na Venezuela

A intenção de Maduro de reformar a lei petrolífera foi largamente definida pela profunda crise econômica que o país tem atravessado nos últimos anos, com o setor de energia atingido pelas sanções de Washington. Em 2020, a produção petrolífera média por dia foi de 557.000 barris, comparada com 1,013 bilhão em 2019.

Sob a lei venezuelana atual, a PDVSA tem obrigatoriamente de possuir participação majoritária em joint ventures com empresas energéticas estrangeiras e privadas.

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