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Bolsonaro contribuiu para dimensão da tragédia da pandemia no Brasil, diz autora de denúncia na ONU

© AP Photo / Bruna PradoFamiliares acompanham enterro de vítima da COVID-19 em cemitério no Rio de Janeiro.
Familiares acompanham enterro de vítima da COVID-19 em cemitério no Rio de Janeiro. - Sputnik Brasil, 1920, 15.03.2021
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A Comissão Arns e a ONG Conectas Direitos Humanos denunciaram ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, nesta segunda-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro em razão da sua postura diante da pandemia da COVID-19.

Em entrevista à Sputnik Brasil, a socióloga Maria Hermínia Tavares de Almeida, fundadora e membro da Comissão Arns, disse que o presidente Jair Bolsonaro teve atitudes que prejudicaram as ações de contenção do novo coronavírus no Brasil.

"O que nos levou a apresentar essa denúncia foi uma atitude recorrente de negação por parte do presidente da República com relação ao perigo e a gravidade da pandemia. Durante o tempo inteiro ele desdenhou das recomendações dos cientistas", afirmou.

Maria Hermínia disse que o presidente "estimulou o uso de remédios ineficazes, como a cloroquina, promoveu aglomerações, enfraqueceu o Ministério da Saúde e não deu importância à vacina".

"Ele [Bolsonaro] apresentou o tempo inteiro uma atitude irresponsável e desrespeitosa com relação aos brasileiros que estavam morrendo. Nós acreditamos que a sua atitude, na verdade, é em grande parte responsável pela dimensão da tragédia que o Brasil vive hoje", destacou.

O advogado Marcelo Chalréo, presidente da Comissão de Direitos Sociais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), concordou com o teor da denúncia apresentada pela Comissão Arns e pela Conectas Direitos Humanos.

"De fato, são condutas do senhor presidente da República absolutamente ao largo de tudo aquilo que recomenda a ciência, que recomendam os pesquisadores. São atitudes que agridem diretamente o povo brasileiro, agridem da pior forma possível, com adoecimento e com a morte", disse à Sputnik Brasil.

​Nesta segunda-feira (15), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que pretende auxiliar para que Bolsonaro seja julgado em tribunais internacionais por conta de sua condução das ações de combate à pandemia. Segundo o tucano, Bolsonaro está "cometendo um genocídio contra os brasileiros".

'Queremos alertar a opinião pública internacional'

Para a representante da Comissão Arns, o objetivo de ter recorrido ao Conselho de Direitos Humanos é para que a ONU preste atenção à conduta de Jair Bolsonaro.

"Naturalmente o Conselho de Direitos Humanos tem os seus próprios procedimentos, seus próprios mecanismos de decisão, e nós quisemos simplesmente alertar o conselho e alertar a opinião pública internacional sobre a gravidade da situação que o país está vivendo", comentou.

Essa não é a primeira denúncia contra Bolsonaro em um tribunal internacional feita pela Comissão Arns. Em 2019, a organização denunciou o presidente brasileiro no Tribunal Penal Internacional (TPI) por supostamente "incitar o genocídio e promover ataques sistemáticos contra os povos indígenas do Brasil".

Marcelo Chalréo disse que "não há como discordar das denúncias" feitas contra Bolsonaro e espera que "elas caminhem positivamente para as consequências necessárias perante esses organismos".

"Desde o início [da pandemia] nós temos uma Presidência da República sem nenhuma empatia com o povo brasileiro no que diz respeito ao trato dessa questão da pandemia. As omissões são terríveis. A gente verifica pelas lives do presidente ele desestimulando o uso de máscara, recomendando medicamentos absolutamente inadequados e impróprios, fomentando aglomerações", completou.
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