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Bolsonaro é o melhor adversário para Lula, mas 'recíproca não é verdadeira', diz cientista político

© Folhapress / Eduardo AnizelliEx-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixando a carceragem da Polícia Federal de Curitiba
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixando a carceragem da Polícia Federal de Curitiba - Sputnik Brasil, 1920, 09.03.2021
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O ministro do STF, Edson Fachin, decidiu na última segunda-feira (8) anular as condenações envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a decisão, Lula recupera os seus direitos políticos e pode concorrer às eleições.

Na decisão, Fachin também indica prejuízo do julgamento de uma possível suspeição de Moro na Lava Jato.

O cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, Rodrigo Prando, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que a certeza que podemos ter neste momento é que "esta decisão do ministro Fachin muda a correlação de forças" do cenário político brasileiro.

"As peças estão todas agora em movimento. O que era certo, pelo menos o que era o cenário mais provável para 2022, com a presença do ex-presidente Lula o cenário muda substancialmente", afirmou o especialista.

Ao comentar um possível embate eleitoral entre Lula e Bolsonaro, Prando observou que a polarização na política brasileira acontece há um bom tempo, destacando que "os petistas foram responsáveis pela polarização quando dividiram o Brasil em 'nós e eles'".

Segundo o analista, é consenso em uma parte substancial dos analistas políticos que os discursos polarizados de personalidades como Lula e Bolsonaro se retroalimentam.

"Quanto mais ganha ascensão um dos candidatos, seja Lula ou Bolsonaro, ou outro, consequentemente também ganha a visibilidade no espectro político invertido", acrescentou.

O cientista político destacou que, sob o ponto de vista do presidente Jair Bolsonaro, é preferível enfrentar um candidato do PT, porque isso manteria a base bolsonarista "bastante coesa" e conseguiria trazer voto daqueles que não são bolsonaristas, mas também teriam uma alta rejeição ao PT e à esquerda. Prando ressaltou, no entanto, que a presença de Lula muda este cenário.  

© Folhapress / Eduardo KnappO ex-presidente Lula ao lado de Fernando Haddad e Guilherme Boulos discursa no caminhão de som em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, em São Paulo
Bolsonaro é o melhor adversário para Lula, mas 'recíproca não é verdadeira', diz cientista político - Sputnik Brasil, 1920, 09.03.2021
O ex-presidente Lula ao lado de Fernando Haddad e Guilherme Boulos discursa no caminhão de som em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, em São Paulo

De acordo com ele, seria melhor para Bolsonaro enfrentar Fernando Haddad, pois "Lula tem muito mais traquejo político, muito mais carisma, e tem muito mais uma oratória preparada para o confronto do que Fernando Haddad".

O especialista acrescentou que "Lula tem inteligência política para modular o seu discurso de acordo com a situação", então sua "capacidade discursiva e seu carisma seriam muito prejudiciais às pretensões do Bolsonaro".

Para Rodrigo Prando, o presidente Jair Bolsonaro é, portanto, o "melhor" adversário para o Lula, mas frisou que a "recíproca não é verdadeira", pois, para Bolsonaro, seria preferível enfrentar outro candidato da esquerda.

Ciro Gomes e João Doria no novo xadrez político

Já em relação a outros prováveis candidatos nas eleições presidenciais de 2022, como Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB), Rodrigo Prando observou que o pedetista buscaria uma posição dentro da esquerda acenando para o centro e criando uma distância distante do PT.

"[Ciro Gomes] buscaria se consolidar como o nome de centro-esquerda. Com a presença do Lula, a correlação de forças muda, porque o Lula consegue atrair muito mais partidos de esquerda e apoios do que o próprio Ciro Gomes", argumentou.

O governador de São Paulo, João Doria, por sua vez, afirmou que, apesar do potencial de votos do atual presidente Jair Bolsonaro e de Lula, outros candidatos continuarão com chances de se eleger se "tiverem juízo. Para ele, a polarização entre Lula e Bolsonaro "favorece os extremistas que destroem o país".

De acordo com o especialista Rodrigo Prando, o peso político de ser o governador de São Paulo coloca Doria como um forte presidenciável. Para o cientista político, a liderança de Doria no processo de vacinação com o imunizante CoronaVac contra a COVID-19 também lhe garante um capital político significativo, mas a polarização entre Lula e Bolsonaro prejudica seus planos.

"Sem dúvida nenhuma, a presença do ex-presidente Lula como candidato prejudica muito a ideia e o projeto político de João Doria, porque ele sabe que com o Lula entrando no páreo, as atenções ficariam divididas entre o Lula e o Bolsonaro, e um candidato mais ao centro não teria a mesma força e musculatura política eleitoral para conseguir chegar a um segundo turno", completou.

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