Zoológico dos EUA aplica vacina experimental contra COVID-19 em macacos em risco de extinção

© REUTERS / Perth Zoo/Alex AsburyUm orangotango de Sumatra, de 60 anos de idade, é uma verdadeira lenda do jardim zoológico da cidade australiana de Perth. É o mais antigo representante dessa espécie no mundo
Um orangotango de Sumatra, de 60 anos de idade, é uma verdadeira lenda do jardim zoológico da cidade australiana de Perth. É o mais antigo representante dessa espécie no mundo - Sputnik Brasil, 1920, 05.03.2021
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Nove grandes macacos em cativeiro nos EUA foram os primeiros primatas não humanos a receber uma vacina experimental contra a COVID-19. Até agora os animais não apresentaram reações.

O Zoológico de San Diego, nos EUA, utilizou vacinas experimentais em quatro orangotangos e cinco bonobos no mês passado, e há planos de imunizar outros três bonobos e um gorila em breve. Essas espécies, incluindo os chimpanzés, são os primos mais próximos dos humanos, colocando-os em risco de contrair um vírus que está passando de humano a humano rapidamente, disseram funcionários do zoológico na quinta-feira (4).

Em meados de janeiro, o zoológico relatou que seu bando de oito gorilas desenvolveu COVID-19 após exposição a um tratador infectado, embora o funcionário não tivesse sintomas e usasse equipamento de proteção.

"Isso nos fez perceber que nossos outros macacos estavam em risco", disse Nadine Lamberski, diretora de conservação e saúde da vida selvagem da San Diego Zoo Wildlife Alliance.

Muitos dos veterinários do zoológico e outros funcionários que trabalham com animais já foram vacinados contra o coronavírus, mas Lamberski diz que não foi o caso em janeiro.

A profissional já estava em contato com a Zoetis, braço da Pfizer para saúde animal. A Zoetis estava testando sua vacina em visons, gatos e cachorros, diz Lamberski, e tinha cerca de 27 doses de sobra.

© AP Photo / Michael ProbstUm bebê da espécie bonobo e sua mãe em um zoológico em Frankfurt, Alemanha, em 21 de julho de 2015
Zoológico dos EUA aplica vacina experimental contra COVID-19 em macacos em risco de extinção - Sputnik Brasil, 1920, 05.03.2021
Um bebê da espécie bonobo e sua mãe em um zoológico em Frankfurt, Alemanha, em 21 de julho de 2015

Essas doses não foram autorizadas para uso em pessoas. Então, o zoológico decidiu usá-las nos macacos, calculando que os perigos de usar uma vacina que não havia sido testada em primatas eram superados pelo risco de os animais contraírem COVID-19.

Pascal Gagneux, zoólogo da UC San Diego, especialista em evolução de primatas, acredita que foi uma decisão acertada. "Faz muito sentido. Esses animais são incrivelmente preciosos", disse ele ao ponderar que há poucos grandes macacos em cativeiro.

Ao todo, existem menos de 200 bonobos em zoológicos ao redor do mundo. A espécie está mais intimamente relacionada às pessoas do que aos gorilas, o que ressalta sua vulnerabilidade potencial ao coronavírus.

A equipe do zoológico aplicou as duas doses com três semanas de intervalo. Os animais são acostumados a receber vacinas contra a gripe e o sarampo, e costumam se sentar e se acalmar para recebê-las, com exceção de alguns mais jovens e energéticos. Lamberski contou que a equipe fará nova tentativa de vacinação quando os animais estiverem mais confortáveis, em vez de correr o risco de complicações por anestesiá-los.

Ela acrescenta que a maioria dos animais não teve nenhum efeito colateral visível. Um ou dois, porém, esfregaram a cabeça ou a área ao redor de onde aplicaram a injeção.

Dois dos animais vacinados - um orangotango e um bonobo - tiveram amostras de sangue colhidas desde que foram inoculados, o que permitirá aos cientistas medir seu nível de anticorpos.

"Esta é uma oportunidade realmente preciosa para observar o que acontece com grandes macacos ameaçados de extinção quando eles são vacinados [contra COVID-19]", disse Gagneux. "Nada impede que a COVID-19 comece a infectar as populações selvagens."
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