'Desconfiança estratégica' permaneceria entre China e Índia mesmo após tropas saírem de Ladakh?

© REUTERS / Danish SiddiquiCaminhões militares carregando suprimentos avançam para áreas da região de Ladakh, 15 de setembro de 2020
Caminhões militares carregando suprimentos avançam para áreas da região de Ladakh, 15 de setembro de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 03.03.2021
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Índia e China retiraram maquinário pesado e algumas estruturas permanentes erguidas ao longo da Linha de Controle Real (LAC, na sigla em inglês) durante o impasse em Ladakh desde 10 de fevereiro, mas a região continuará sendo um ponto sensível, afirma contra-almirante norte-americano.

O contra-almirante Michael Studeman, diretor de inteligência do Comando Indo-Pacífico dos EUA (USINDOPACOM, na sigla em inglês) afirmou que a região de Ladakh ainda é um ponto sensível entre a Índia e a China. No entanto, ele concordou que a probabilidade de confrontos graves entre os dois países diminuiu, e o processo de desengajamento contínuo na área marca, por enquanto, uma redução das tensões.

"A retirada de equipamento pesado ainda não alivia a desconfiança estratégica que surgiu, e a área continuará sendo um ponto sensível entre as duas potências nucleares [Índia e China]", disse Studeman, discursando na conferência TechNet Indo-Pacific da Associação de Comunicações e Eletrônica das Forças Armadas (AFCEA, na sigla em inglês) na terça-feira (2).

Studeman alertou aos países que o mundo não pode mais se esconder das ramificações de uma China "ainda mais ambiciosa e agressiva".

"Temos uma amostra do que significa ser liderado ou profundamente influenciado pela China", disse o diretor.

A Índia se tornou mais receptiva a trabalhar com o Comando Indo-Pacífico, especialmente no compartilhamento de informações, enfatizou Studeman.

"É importante que tenhamos ferramentas de compartilhamento seguras e confiáveis, as quais possamos fornecer. Temos um serviço de inteligência bom nos EUA, outras nações não. Por isso, temos a obrigação de informá-los e adverti-los", declarou o diretor.

Além disso, Studeman acrescentou que não espera que a estratégia indo-pacífica mude sob a administração de Joe Biden.

© REUTERS / Exército da ÍndiaFoto mostra processo de retirada do Exército da Índia e Exército de Libertação Popular da China da área em disputa, região de Ladakh, 16 de fevereiro de 2021
'Desconfiança estratégica' permaneceria entre China e Índia mesmo após tropas saírem de Ladakh? - Sputnik Brasil, 1920, 03.03.2021
Foto mostra processo de retirada do Exército da Índia e Exército de Libertação Popular da China da área em disputa, região de Ladakh, 16 de fevereiro de 2021

O Comando Indo-Pacífico dos Estados Unidos é um dos seis comandos combatentes geograficamente definidos pelo Plano de Comando Unificado do Departamento de Defesa norte-americano.

O Exército indiano e o Exército de Libertação Popular da China (ELP) estacionaram mais de 50 mil tropas adicionais cada um em vários pontos de fricção ao longo da Linha de Controle Real livremente demarcada na região oriental de Ladakh, após o surgimento de um grande impasse sobre a infraestrutura da fronteira.

O impasse começou em abril de 2020 perto de Pangong Tso, que fica entre a Índia e o Tibete, e se transformou em um conflito violento em 15-16 de julho, quando 20 soldados indianos e quatro soldados chineses foram mortos.

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