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Com aproximação em debates sobre o meio ambiente, Brasil e EUA têm a ganhar, avaliam especialistas

© AFP 2022 / Lunae ParrachoDesmatamento volta a crescer na Amazônia
Desmatamento volta a crescer na Amazônia - Sputnik Brasil, 1920, 18.02.2021
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Os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, realizaram nesta quarta-feira (17) uma teleconferência com o enviado presidencial para o clima do governo dos Estados Unidos (EUA), John Kerry.

Na reunião, os três discutiram mudanças climáticas e o combate ao desmatamento.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Carlo Barbieri, economista e analista político que há mais de 30 anos vive nos Estados Unidos, e Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing em São Paulo, veem com bons olhos a aproximação entre os governos de Brasil e EUA. 

Holzhacker explica que estas reuniões representam, por enquanto, uma aproximação apenas inicial, com o começo da construção de um diálogo entre os dois países. Na reunião, Araújo, Salles e Kerry conversaram sobre o Earth Summit, reunião internacional organizada pelos EUA para tratar da preservação do meio ambiente. Para a professora, a inclusão do Brasil nas tratativas sobre o evento é um bom sinal para o governo Bolsonaro, que tem sido constantemente criticado pela devastação ambiental.

"É uma sinalização do governo Biden de que: 'Não estamos excluindo o Brasil do processo, mas também não significa que vamos aceitar as visões e as posições do governo brasileiro'", avalia Holzhacker.

Da mesma maneira, Barbieri avalia a aproximação norte-americana como uma abertura ao diálogo em "uma área que poderia ser um problema" entre os dois países, referindo-se à preservação ambiental. Agora, segundo o economista, é preciso que o Brasil mostre receptividade e forneça informações e dados concretos sobre as ações para preservação da Amazônia e outros biomas.

"A bola veio para o lado brasileiro e dá para retornar [para o outro lado] com muita positividade para o mundo como um todo e para os EUA em particular", diz Barbieri.

Nos últimos meses, os governos de Jair Bolsonaro e a campanha presidencial de Joe Biden e Kamala Harris trocaram críticas mútuas. Em um debate com Donald Trump, Biden chegou a afirmar que vai "garantir que vários países se juntem e digam [ao Brasil]: 'Aqui estão US$ 20 bilhões [cerca de R$ 108 bilhões]. Parem de destruir a floresta'". Em resposta, Bolsonaro, que apoiou abertamente a reeleição de Trump, disse que a declaração de Biden foi desastrosa, gratuita e lamentável.

Apesar do início de relacionamento conturbado entre Bolsonaro e Biden, Barbieri ressalta que é preciso separar os momentos de campanha presidencial e de política de governo. O especialista destaca que a postura do governo Biden de enviar Kerry para debater com ministros brasileiros demonstra o "pragmatismo do governo norte-americano", que tem a ganhar caso consiga o apoio brasileiro na pauta ambiental.

"O Brasil é uma peça importante [no debate ambiental], e se os EUA conseguirem levar à mesa Brasil embaixo do seu braço, será um êxito político para o presidente norte-americano e um arrefecimento das críticas mundiais para o Brasil", avalia Barbieri.

No dia 8 de janeiro, a porta-voz do governo norte-americano, Jen Psaki, anunciou que os EUA pretendem continuar fortalecendo os laços econômicos e comerciais com o Brasil. Este, segundo Holzhacker, foi mais um sinal do desejo de aproximação entre os dois países. A especialista destaca, no entanto, que estes são apenas contatos iniciais para construir uma nova relação – no futuro, ela acredita em fortes pressões por parte de Biden sobre as decisões do governo brasileiro.

"A aproximação não indica que será um relacionamento fácil. Esta é apenas uma aproximação e um começo de diálogo entre os dois governos", ressalta a professora.

Holzhacker acredita que o governo brasileiro espera obter ajuda financeira dos Estados Unidos para executar planos de preservação ambiental. Ela lembra que, na diplomacia, para cada ação é esperado algo em troca.

"Haverá contrapartida. A pressão para que o Brasil tome ações concretas contra o desmatamento na Amazônia e em outras áreas ambientais brasileiras será colocada sobre a mesa", diz a especialista.

Barbieri destaca outros pontos em que a relação Brasil-EUA pode ajudar no combate ao desmatamento. Segundo ele, acabar com impostos para que produtos produzidos na Amazônia possam ser exportados a menor custo para os EUA é uma forma de colaborar. "Isto daria um estímulo à exploração econômica e à manutenção do emprego nestas áreas, através de empresários conscientes e capazes de promover a sustentabilidade", diz o economista.

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