Especialista: China fortalece sua posição no mercado financeiro mundial fazendo parceria com SWIFT

© REUTERS / Dado RuvicCédulas de yuan da China atrás de gráfico iluminado, em 10 de fevereiro de 2020
Cédulas de yuan da China atrás de gráfico iluminado, em 10 de fevereiro de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 10.02.2021
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A empresa gerente do sistema de pagamentos internacionais SWIFT aceitou fazer uma joint venture com o CIPS chinês com o objetivo de criar um novo sistema de pagamentos internacionais.

A Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (SWIFT, na sigla em inglês) e o Instituto de Pesquisa de Moedas Digitais do Banco Central da China estabeleceram uma parceria com um capital de mais de US$ 12 milhões (R$ 64,97 milhões).

Analistas do país asiático começaram a abordar ativamente a possibilidade de a China se desconectar da SWIFT e fazer transações transfronteiriças em yuan através do Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS, na sigla em inglês) depois que o presidente norte-americano Donald Trump assinou a Lei de Autonomia de Hong Kong em julho de 2020, que ameaça impor sanções a várias autoridades e entidades financeiras chinesas.

Isso permitiria evitar problemas que surgissem do fato de o sistema ser controlado por agências financeiras dos EUA.

Apesar de muitos bancos centrais estarem atualmente tentando desenvolver suas próprias moedas digitais, até hoje nenhum deles conseguiu substituir completamente o dinheiro tradicional nos pagamentos feitos dentro dos países, por isso o uso internacional de moedas digitais ainda pertence a um futuro bastante distante, referiu Lu Suiqi, professor do Instituto de Economia da Universidade de Pequim, China, à Sputnik.

As moedas digitais "nada mais são do que uma nova forma de dinheiro convencional", disse o especialista.

Até agora, mais de 900 instituições financeiras de quase 100 mercados regionais na Ásia aderiram a esta ferramenta. No entanto, o CIPS ainda não pode substituir totalmente a SWIFT no comércio internacional.

Nova etapa em sistemas de pagamento

A China fez mais progressos do que outros países no desenvolvimento de sua própria moeda digital. Em termos de funcionalidade, o yuan digital se assemelha aos sistemas de pagamento móvel Alipay e WeChatPay, que são muito populares entre os chineses. Além disso, ele representa um análogo digital do yuan fiduciário, contendo todas as propriedades inerentes à moeda em espécie.

"O surgimento da moeda digital é apenas uma nova etapa na evolução do sistema de pagamento, uma inovação [...] E este sistema não pode ser separado da infraestrutura financeira tradicional, eles devem se complementar" na primeira etapa de desenvolvimento, adverte o acadêmico chinês.

No entanto, Suiqi admite que a moeda digital acabará por contribuir para a reforma de todo o sistema monetário, melhorando a eficiência dos mecanismos de pagamento.

Por que nova empresa é tão importante para Pequim?

No momento, a China precisa se integrar mais ao sistema financeiro global a fim de aumentar a internacionalização do yuan, pelo que a parceria com a SWIFT é um passo importante para Pequim.

© REUTERS / Florence LoSímbolo do yuan digital da China, ou e-CNY, em balcão de shopping em Pequim, China, 10 de fevereiro de 2021
Especialista: China fortalece sua posição no mercado financeiro mundial fazendo parceria com SWIFT - Sputnik Brasil, 1920, 10.02.2021
Símbolo do yuan digital da China, ou e-CNY, em balcão de shopping em Pequim, China, 10 de fevereiro de 2021

Espera-se que a rede internacional de comunicações interbancárias seja proprietária de 55% das ações da nova entidade. O Centro de Compensação Estatal da China, por sua vez, terá 34% de participação na empresa, o CIPS – 5%, enquanto o Centro de Pesquisa de Moeda Digital do Banco Central da China e a Associação de Pagamentos e Compensação da China terão cada um 3% de participação.

A joint venture com a SWIFT permitirá à China fortalecer sua posição no sistema financeiro global, pois sua integração tornará difícil sujeitar o país a sanções financeiras, comentou Lu Suiqi. Se um Estado decidir punir Pequim, os efeitos colaterais dessa medida serão muito grandes para ele e para outros participantes do sistema financeiro global, o que é "a maior vantagem" para o país, afirma.

"[...] Quando estivermos mais ligados à SWIFT, então todos dependerão uns dos outros, e ninguém mais fará perguntas primitivas como 'quem impõe sanções a quem'".

"Queremos nos integrar ao sistema e fortalecer a cooperação, combinar concorrência e colaboração", aponta.

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