Cientistas explicam capacidade de novas cepas da COVID-19 de resistir aos anticorpos

© AP Photo / Eraldo PeresLaboratório União Química produz vacina russa contra COVID-19, Sputnik V, em projeto-piloto, Brasília, 25 de janeiro de 2021
Laboratório União Química produz vacina russa contra COVID-19, Sputnik V, em projeto-piloto, Brasília, 25 de janeiro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 04.02.2021
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Cientistas norte-americanos revelaram que as novas cepas do coronavírus da COVID-19 possuem mutações genéticas que lhes permitem evadir a resposta imune do corpo, o que torna as novas variantes do vírus mais resistentes aos anticorpos neutralizantes.

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, EUA, estudaram a base de dados de sequências genéticas do novo coronavírus obtidas em todo o mundo. Quando o projeto começou, há meio ano, o vírus SARS-CoV-2 era considerado bastante estável, mas a situação mudou, segundo estudo publicado na revista Science.

Quanto mais o vírus evolui, mais mutações genéticas suas são descobertas pelos cientistas. O grande problema é a capacidade do coronavírus evadir a resposta imune, eliminando seletivamente pequenos fragmentos de sua sequência genética, o que é chamado de deleção.

Os cientistas descobriram que ao longo da evolução do SARS-CoV-2 as deleções ocorrem nos mesmos pontos da sequência, onde o vírus pode suportar mudanças de forma sem perder sua capacidade de entrar nas células e criar cópias.

Em particular, as deleções ocorrem na parte da sequência que codifica a forma da proteína S, que é atacada pelos anticorpos. Por isso, os anticorpos não conseguem pegar o vírus, que continua infectando as células.

Os cientistas notaram pela primeira vez deleções resistentes à neutralização dos anticorpos quando observaram um paciente com fraca imunidade que esteve infetado durante 74 dias antes de falecer da COVID-19. Durante este período o SARS-CoV-2 evoluiu muito, acumulando mutações perigosas em seu genoma.

As novas cepas identificadas no Reino Unido e na África do Sul têm deleções semelhantes. Os cientistas descobriram a cepa britânica B.1.1.7 ainda em outubro de 2020, quando ainda não se conhecia sua alta virulência.

Os pesquisadores destacaram que as novas cepas ainda podem ser neutralizadas pelo complexo de anticorpos existentes no plasma de pessoas recuperadas, mas se desconhece quanto tempo levará até que sejam capazes de evadir as vacinas existentes e o futuro tratamento terapêutico e por quanto tempo as vacinas serão eficazes.

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