Presidente de Cuba fala em 'farsa' e condena a interferência dos EUA

© Sputnik / Kirill Kallinikov / Abrir o banco de imagensPresidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez falando durante abertura de exposição
Presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez falando durante abertura de exposição - Sputnik Brasil
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Desde meados de novembro, um movimento de artistas chamado San Isidro vinha promovendo uma série de manifestações para exigir que o governo cubano libertasse Denis Solís, condenado a oito meses de prisão pelo crime de desacato.

Na noite de domingo (29), o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, decidiu protestar nas redes sociais contra a interferência norte-americana na divulgação de notícias sobre os recentes acontecimentos em Havana envolvendo protestos de um grupo de artistas.

​A farsa de San Isidro. Não há invenção quando se fala em vínculos e contatos entre o movimento San Isidro e as autoridades americanas que cuidam deles e abastecem sua sede.

Miguel Díaz-Canel Bermúdez chamou a participação dos EUA diante do caso de "manipulação midiática do chamado movimento San Isidro", o qual qualificou como "farsa", acrescentando que a ilha não admite "interferências, provocações ou manipulações".

"Quem desenhou a farsa de San Isidro errou sobre o país, errou sobre a história e errou sobre as Forças Armadas", disse o presidente.

Em outra publicação, também no domingo (29), ele condenou a participação do governo dos Estados Unidos.

Aqueles que planejaram a farsa de San Isidro escolheram erroneamente o país, a história e a polícia. Não aceitamos intrusão, controle ou aborrecimento. Nosso povo tem moral e coragem para lutar por Cuba.

O presidente destacou que nada poderá enfrentar a "desafiadora resistência cubana".

Entenda o caso

O conjunto de artistas chamado San Isidro é um grupo que promove manifestações contra o governo de Cuba. Sua lista de demandas inclui informações confiáveis sobre o paradeiro de Denis Solís, assim como liberdade de criação e expressão, o direito à dissidência e o fim da repressão e do assédio a artistas independentes. 

© AP Photo / Ramon EspinosaBandeiras nacionais de Cuba e EUA
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Bandeiras nacionais de Cuba e EUA
Os manifestantes também questionam o polêmico decreto 349, que obriga artistas em Cuba a aderir a uma instituição estatal.

Por outro lado, o governo cubano não apenas reconhece essas demandas, como recebe o grupo com relativa frequência no Ministério da Cultura, em Havana. Na última sexta-feira (27), 30 jovens artistas e intelectuais cubanos foram recebidos pelo vice-ministro de Cultura, Fernando Rojas. Este encontro durou cerca de cinco horas.

Os membros do movimento San Isidro exigiam a libertação do rapper Denis Solís, detido em 9 de novembro e condenado a oito meses de prisão por desacato à autoridade. Eles saíram da reunião com a promessa de que Fernando Rojas vai examinar o caso.

O governo de Cuba, porém, sugere que o caso envolvendo Solís faça parte de uma fabricação intencional. Cuba afirma que ele havia sido intimado oficialmente em uma ocasião anterior a comparecer à unidade da polícia a fim de esclarecer sua ligação com um grupo terrorista baseado em Miami.

Solís decidiu não comparecer a essa primeira convocação das autoridades policiais. Ao receber uma intimação em casa, ele reagiu com violência, segundo a polícia cubana.

Ao ser preso por desacato, ele gritou: "Trump 2020. Trump é meu presidente". Enquanto isso, segundo a polícia, ofendia e desafiava as autoridades cubanas.

© AP Photo / Desmond BoylanCarro descapotável norte-americano clássico passando ao lado de bandeiras cubanas
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Carro descapotável norte-americano clássico passando ao lado de bandeiras cubanas

Retaliação cubana

O governo cubano acusa o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Cuba, Timothy Zúñiga-Brown, de ter visitado as instalações dos manifestantes de San Isidro várias vezes, além de se empenhar para transportar pessoas para Miami e apoiar aqueles que violavam as leis cubanas.

Cuba sustenta que tal procedimento constitui "graves violações de suas funções como diplomata e chefe de missão, uma ingerência flagrante e desafiadora nos assuntos políticos internos de Cuba".

Além disso, o governo cubano afirma estar "plenamente ciente do envolvimento do governo dos Estados Unidos no financiamento, orientação e incitação de grupos e indivíduos em Cuba a desafiar a autoridade do governo, tanto por meios pacíficos como violentos".

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