Nossa galáxia se estende e se enrola, segundo último estudo de cientistas

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Astrofísicos descobriram que Via Láctea se enrola e se deforma sob efeito de gravitação da galáxia satélite Grande Nuvem de Magalhães, desmentindo a ideia que nossa galáxia é relativamente estática.

Considerava-se que Via Láctea, a galáxia onde está o Sistema Solar, era relativamente estática. No entanto, há 700 milhões de anos ela interagiu gravitacionalmente com a galáxia Grande Nuvem de Magalhães (LMC, na sigla em inglês). O acontecimento não se passou há muito tempo em termos cosmológicos.

Usando um modelo estatístico complexo, que calculou a velocidade das estrelas mais distantes da Via Láctea, os cientistas da Universidade de Edimburgo Michael Petersen e Jorge Peñarrubia provaram que o efeito da colisão com esta pequena galáxia, que se tornou satélite da Via Láctea, ainda se sente. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Astronomy.

A galáxia LMC é enxergada como uma nuvem no céu noturno do Hemisfério Sul. Tal como a Via Láctea, é rodeada por um halo de matéria escura. As partículas de matéria escura não absorvem ou emitem luz, mas influenciam o movimento de estrelas e gases no Universo.

CC BY 4.0 / NASA, ESA / Grande Nuvem de MagalhãesGrande Nuvem de Magalhães é uma galáxia anã satélite que orbita a Via Láctea
Nossa galáxia se estende e se enrola, segundo último estudo de cientistas - Sputnik Brasil
Grande Nuvem de Magalhães é uma galáxia anã satélite que orbita a Via Láctea

A enorme força gravitacional do halo de matéria escura da LMC atrai e enrola o disco em forma de espiral da Via Láctea em direção à constelação de Pegasus à velocidade de 32 quilômetros por segundo, ou 115.200 quilômetros por hora, descobriram os pesquisadores.

"Conseguimos mostrar que as estrelas em distâncias incrivelmente grandes, até 300 mil anos-luz de nós, conservam a memória da estrutura da Via Láctea antes da queda da LMC e formam o fundo sobre o qual medimos a velocidade do disco galáctico voando no espaço, atraído pela força gravitacional da LMC", de acordo com o comunicado de imprensa. "Para descrever a evolução de nossa galáxia agora é preciso de criar uma nova geração de modelos da Via Láctea."

A Via Láctea está se movendo para um ponto da trajetória antiga da LMC, não para sua localização atual. Isto é porque a galáxia LMC, colocada em movimento por uma força gravitacional enorme, está se afastando da Via Láctea a uma velocidade ainda maior, 370 quilômetros por segundo, ou 1,3 milhão de quilômetros por hora, presumem os cientistas.

"Esta descoberta destrói definitivamente a magia de que nossa galáxia está em um certo estado de equilíbrio. De fato, a queda recente da LMC causa fortes interferências na Via Láctea. A compreensão disso pode nos dar uma visão sem precedentes da distribuição da matéria escura em ambas as galáxias", acrescentou Peñarrubia.

Atualmente, os astrônomos pretendem determinar a direção do movimento da galáxia LMC no momento em que colidiu com a Via Láctea e o tempo exato desse acontecimento. Os cientistas esperam que isso ajude a criar um novo modelo dinâmico da galáxia e calcular em detalhes a quantidade e distribuição da matéria escura na Via Láctea e LMC.

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