Novas sanções mostram que administração Trump não 'finalizou' com China, escreve Bloomberg

© AFP 2022 / Wang ZhaoBandeiras da China e EUA
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EUA sancionaram mais quatro autoridades acusadas de minar a autonomia de Hong Kong, mostrando que a administração Trump está pronta para continuar combatendo a China, mesmo depois de Joe Biden ter conseguido quantidade de delegados necessária para vitória.

Na segunda-feira (10), foram anunciadas sanções contra três autoridades em Hong Kong, que são fundamentais para a implementação de uma lei de segurança nacional imposta no início deste ano, que tem sido usada para ajudar a eliminar protestos pró-democracia: Li Jiangzhou, vice-diretor do Escritório de Proteção da Segurança Nacional; Edwina Lau, chefe da Divisão de Segurança Nacional da Força Policial de Hong Kong; e Steve Li Kwai-Wah, superintendente sênior.

A administração Trump também apontou Deng Zhonghua, vice-diretor do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau em Pequim – uma das principais agências da China para supervisionar o centro financeiro. Todos eles estão impedidos de viajar para os EUA, e terão todos os seus ativos americanos bloqueados.

"Essas ações enfatizam a determinação dos EUA em responsabilizar figuras-chave que estão ativamente destruindo as liberdades do povo de Hong Kong, minando a autonomia do mesmo", disse o Departamento de Estado dos EUA em um comunicado, citado pela agência Bloomberg.

Lista de sanções

O Ministério das Relações Exteriores da China denunciou as sanções nesta terça-feira (10). Anteriormente, Pequim respondia com medidas retaliatórias contra senadores e ativistas de direitos humanos dos EUA, embora até agora tenha evitado altos funcionários da Casa Branca.

"Pedimos que os EUA parem imediatamente de interferir nos assuntos de Hong Kong, retirem imediatamente as chamadas sanções e não sigam no caminho errado", disse o porta-voz Wang Wenbin a repórteres em uma coletiva em Pequim.
© AP Photo / Andy Wong, FilePresidente americano Donald Trump (à direita) e o presidente chinês Xi Jinping (à esquerda) durante encontro (foto de arquivo)
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Presidente americano Donald Trump (à direita) e o presidente chinês Xi Jinping (à esquerda) durante encontro (foto de arquivo)

Os novos nomes somam-se a uma lista de dez funcionários sancionados neste ano. O governo Trump enfrenta um prazo final, até meados de dezembro, para nomear e sancionar quaisquer bancos que tenham negócios com funcionários da lista, um movimento que pode perturbar as relações sino-americanas ainda mais antes da possível tomada de posse de Biden em janeiro.

De acordo com Bonnie Glaser, consultora sênior para a Ásia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, são previstas mais ações "contra a China na transição presidencial". Segundo Glaser, "a administração Trump tem uma lista de tarefas que visa tornar irreversíveis as mudanças nas relações entre os EUA e a China".

Biden e China: da campanha à realidade

Durante a campanha, Biden intensificou as críticas à China em questões de direitos humanos, incluindo a sua repressão em Hong Kong. No entanto, o democrata evitou dar detalhes sobre o que faria de forma diferente do presidente Donald Trump.

Durante a presidência de Trump, Washington tomou outras medidas duras contra Hong Kong, incluindo uma ordem executiva para acabar com a preferência de tratamento comercial para a cidade. Adicionalmente, também suspendeu o tratado de extradição com o território em questão, encerrando o tratamento tributário recíproco sobre o transporte marítimo.

© AP Photo / Kin CheungManifestante segura bandeira americana durante protesto pró-democracia em um shopping em Hong Kong, 21 de julho de 2020
Novas sanções mostram que administração Trump não 'finalizou' com China, escreve Bloomberg - Sputnik Brasil
Manifestante segura bandeira americana durante protesto pró-democracia em um shopping em Hong Kong, 21 de julho de 2020

Pequim tem sido silenciosa sobre Biden desde a eleição, com Wang se recusando a responder a uma pergunta na terça-feira (11) sobre se o considerava vencedor.

O agravamento da situação em Hong Kong parece ter aberto uma porta para os EUA tomarem medidas mais duras, de acordo com Jean-Pierre Cabestan, professor do Departamento de Estudos Governamentais e Internacionais da Universidade Batista de Hong Kong, que escreveu vários livros sobre a política chinesa.

O professor Cabestan acredita que "o governo Trump se vai abster de fazer qualquer coisa". Na verdade, "seria muito constrangedor para Biden – um novo presidente eleito – criticar tais medidas, especialmente quando dizem respeito a direitos humanos".
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