OTAN fica no Iraque por mais 5 anos: o que fará Bagdá?

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A comandante da missão da OTAN no Iraque, major-general Jennie Carignan, afirmou que forças da OTAN ficarão no país por mais cinco anos. Esta declaração provocou reação negativa em Bagdá, que relembrou a decisão do parlamento de retirar as tropas estrangeiras do país.

Especialistas, em entrevista à Sputnik Árabe, descreveram quais são os objetivos da OTAN no Iraque nos próximos cinco anos e por que as tropas estrangeiras não pretendem sair do país.

Retirar ou não retirar as tropas estrangeiras?

Considerando a decisão do parlamento iraquiano sobre a necessidade de retirar as tropas estrangeiras do território do país, a declaração da missão da OTAN no Iraque levanta questões. Como se conjugam as intenções de Bagdá com as da OTAN?

O analista militar e estratégico iraquiano Majd al-Quaisy acredita que a posição do parlamento está clara, no entanto, existem vários problemas jurídicos, por isso a missão da OTAN no Iraque ficará lá por muitos anos.

"É que a decisão do parlamento iraquiano possui exclusivamente caráter de recomendação até ser apoiada e aprovada pelo governo. Acho que o governo não conseguirá expulsar ninguém do país: a presença das forças estrangeiras no Iraque desde 2014 é baseada no acordo entre os governos do Iraque e dos EUA e também os países da OTAN. A assinatura do acordo ocorreu sob a égide da ONU. Então, a OTAN tem todas as razões para dizer que a missão ficará no Iraque por mais uns anos", comentou.

Especialistas da OTAN treinaram mais de 200 mil militares iraquianos nos últimos seis anos e Bagdá ainda precisa de seus serviços, de acordo com as palavras do analista.

"É preciso de distinguir o contingente norte-americano para combater os terroristas do Daesh e o contingente das forças da OTAN. Eles têm funções diferentes, e Bagdá não teve nem tem reclamações acerca do último", acrescentou.

O problema é a 'falta de firmeza' do governo

No entanto, o ex-diplomata iraquiano e secretário-geral do partido Vanguarda de Nasser, Abdel Sattar al-Jumaily, tem outra opinião. O problema principal é a falta de firmeza do governo iraquiano que não é capaz de dizer "não" nem aos EUA, nem à OTAN, segundo especialista.

"A ocupação norte-americana, a ingerência iraniana e turca nos assuntos internos do Iraque fizeram seu trabalho: o governo perdeu completamente a autonomia, nem mesmo consegue criar uma estratégia para cumprir os interesses nacionais. Nem o parlamento, nem o governo são capazes hoje de tomar a decisão se as forças da OTAN ficarão no país. Por isso, tudo será decidido exclusivamente da maneira que seja vantajosa para Washington. Temo que se o sistema político do Iraque não continue se desenvolvendo, as tropas de ocupação não sairão do país nem dentro de cinco anos, nem dentro de dez", afirmou.
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