Geólogos descobrem a mais longa sequência de supervulcões de todos os tempos na Terra

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As erupções ocorreram no sul do oceano Índico entre 122 milhões e 90 milhões de anos atrás, um período muito superior a máxima registrada até agora de duração de um a cinco milhões de anos.

Um corredor de magma no subsolo da Terra de 122 milhões a 90 milhões de anos atrás foi o mais longo período de erupção de supervulcões já visto em nosso planeta, segundo estudo publicado na revista Geology.

O fenômeno aconteceu no planalto de Kerguelen, um planalto quase três vezes maior que o Japão e situado agora sob o sul do oceano Índico, onde se acumulou uma grande quantidade de magma e lava, ou uma grande província ígnea (LIP, na sigla em inglês). O fluxo durou 32 milhões de anos, mesmo o período de fluxo durando normalmente de um a cinco milhões de anos.

A equipe de pesquisadores dirigida por Qiang Jiang, da Universidade de Curtin, na Austrália, usou amostras de rochas negras basálticas retiradas do fundo do mar e aplicou um método de datação por isótopos de argônio para determinar a propagação e ascensão da LIP, que se assentava no que é conhecido como pluma de manto, criada pelo magma ascendente.

Os cientistas avaliaram que o planalto de Kerguelen subiu anualmente cerca de 20 centímetros durante 30 anos, um fenômeno que o estudo sugere ocorrer devido a uma pluma de manto cujos cumes de propagação lenta canalizam o magma para cima.

"O vulcanismo durou muito tempo, porque os magmas causados pela pluma do manto fluíam continuamente através das cristas do médio-oceano, que atuaram sucessivamente como um canal, ou como uma 'esteira transportadora de magma' por mais de 30 milhões de anos", explicou o geólogo Hugo Olierook, da Universidade de Curtin, em comunicado da instituição.

Olierook explica que a pluma do manto assegura o derretimento do manto prolongado, ao contrário de outros vulcões, cujo magma eventualmente tem queda nas temperaturas e "entope" o resto do fluxo.

"Encontrar esta longa e contínua atividade eruptiva é importante, porque nos ajuda a entender quais fatores podem controlar o início e o fim da atividade vulcânica. Isso tem implicações sobre como entendemos o magmatismo não só na Terra como também em outros planetas", aponta o geocronólogo Fred Jourdan, da Universidade Curtin, apesar dos pesquisadores continuarem não sabendo a razão pela qual a atividade vulcânica diminuiu há 90 milhões de anos.

"Acumulações extremamente grandes de rochas vulcânicas – conhecidas como grandes províncias vulcânicas – são muito interessantes para os cientistas, devido a suas ligações com extinções em massa, distúrbios climáticos rápidos e formação de depósitos de minério", referiu Jiang.

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