Por que a eleição de 2020 tem ecos de algumas das eleições mais conhecidas da história dos EUA

© REUTERS / Fabrizio BenschManifestante democrata dos EUA na Alemanha em meio a eleições presidenciais
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Com uma vantagem de 238 votos no Colégio Eleitoral de Joe Biden contra 213 de Donald Trump, e muitos votos ainda por contar, 2020 pode se tornar uma das eleições mais acirradas.

Nem Trump, nem Biden. Os votos eleitorais ainda não foram suficientes para ganhar a Casa Branca em 2020, e com centenas de milhares de votos por correio ainda a ser contados, pode-se levar vários dias até que um vencedor seja declarado.

Estamos crescendo muito, mas eles estão tentando roubar a eleição. Nós nunca os deixaremos fazer isso. Os votos não podem ser lançados após o encerramento das votações!

É um forte contraste com 2016, quando Hillary Clinton concedeu a derrota a Trump após ter sido projetada sua perda nos estados de Michigan, Wisconsin, Ohio e Pensilvânia.

No entanto, várias eleições nos EUA têm sido extremamente acirradas.

1916: Woodrow Wilson vs. Charles Hughes

Charles Evans Hughes, filho de um imigrante galês, é uma figura há muito esquecida na política americana, mas chegou muito perto de ser eleito presidente em 1916.

Enquanto o então presidente Woodrow Wilson, um democrata, se orgulhava de ter deixado os EUA de fora da Primeira Guerra Mundial, então chamada Grande Guerra, Hughes o criticou pelo país não ter entrado no conflito e por sua pouca prontidão militar em meio à turbulência vinda do México com a Revolução Mexicana.

Diz-se que, após a eleição à justa de 1916, um repórter ligou para o hotel do candidato republicano Charles Evans Hughes, e recebeu a resposta "o presidente está dormindo". O repórter disse: "Quando ele acordar, diga-lhe que não é mais presidente."

Evans Hughes venceu nos estados industrializados do norte, incluindo Nova York, Pensilvânia, Illinois e Michigan, onde havia muitos eleitores germano-americanos, que desaprovaram o apoio aberto de Wilson ao Reino Unido na guerra na Europa.

Os democratas, por sua vez, venceram com força no sul.

Wilson ganhou por pouco no Tennessee, em Ohio, Missouri e Califórnia, obtendo no último estado uma margem positiva de apenas 3.773 votos, e triunfou no Colégio Eleitoral com 277 votos, contra 254 de Evans Hughes.

Evans Hughes, um advogado de profissão, se tornou mais tarde secretário de Estado do presidente Warren G. Harding (1921-1923), e em 1930, foi nomeado para fazer parte da Suprema Corte dos EUA.

1948: Harry Truman vs. Thomas Dewey

O governador republicano de Nova York, Thomas Dewey, desafiou em 1948 Harry Truman, que, como vice-presidente, substituiu em abril de 1945 o então presidente Franklin Roosevelt.

A campanha de 1948 também foi complicada pela presença de um terceiro candidato, Strom Thurmond, candidato do Partido dos Direitos dos Estados, mais conhecido como os Dixiecratas.

Thurmond venceu em Louisiana, Mississippi, Alabama e Carolina do Sul, estados que geralmente votavam pelo Partido Democrata.

Isso, em conjunto com Dewey vencendo em Pensilvânia, Nova York e vários estados do centro-norte do país, podia lhe dar a vitória nas eleições.

O episódio levou o jornal Chicago Tribune a publicar uma edição antecipada do jornal com a manchete "Dewey Derrota Truman".

© AP Photo / Byron RollinsHarry S. Truman, presidente dos Estados Unidos, levanta famosa edição antecipada do jornal Chicago Daily Tribune
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Harry S. Truman, presidente dos Estados Unidos, levanta famosa edição antecipada do jornal Chicago Daily Tribune

Mas os democratas venceram na Califórnia, Texas, Ohio e em grande parte do resto do país. No fim, Truman ganhou 303 votos no Colégio Eleitoral, e Dewey apenas 189.

A caminho da capital Washington D.C., Truman pegou um trem de sua casa no Missouri e parou em St. Louis com uma cópia da primeira página do jornal para seus apoiadores, que o aplaudiram enquanto mostrava a manchete com um largo sorriso.

1960: John Kennedy contra Richard Nixon

O vice-presidente do então líder Dwight Eisenhower, Richard Nixon, concorreu às eleições em 1960, esperando que vencesse os democratas em meio a um boom econômico nos EUA. No entanto, seu oponente, John Kennedy, um senador de Massachusetts, inspirou o eleitorado jovem, negro, feminino e universitário, que queria mudanças dos "velhos costumes".

Como resultado, as eleições de 1960 foram extremamente complicadas.

Kennedy ganhou 34.220.984 de votos e Nixon ganhou 34.108.157.

Os votos nos Colégios Eleitorais foram mais claros, com Kennedy ganhando 303 votos, contra 219 de Nixon.

2000: George Bush vs. Al Gore

Em 2000, Al Gore, antigo senador norte-americano, se tornou o candidato democrata, e seu oponente acabou sendo o filho de George H. W. Bush, cujo pai perdera a eleição de 1992 para Bill Clinton, governador do Arkansas. George W. Bush, republicano, era, por sua vez, governador do Texas.

A eleição foi uma disputa acirrada, e na noite da eleição Gore obteve 266 votos do Colégio Eleitoral e Bush 246, apenas com a Flórida não declarando seus resultados.

Após uma recontagem nesse estado, Bush foi declarado vencedor por 537 votos, ou uma margem de 0,009%. Os 25 votos do Colégio Eleitoral foram suficientes para ganhar a Casa Branca, mas a campanha de Gore reivindicou uma série de votos, argumentando que os mesmos haviam sido descontados incorretamente.

O argumento foi até a Suprema Corte dos EUA, onde, em 12 de dezembro de 2000, eles atribuíram vitória ao candidato republicano.

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