Perda de olfato pode ser considerado sintoma-chave para diagnóstico da COVID-19

© REUTERS / Marco BelloEstudo de vacina contra COVID-19 nos EUA
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A University College London divulgou um estudo nesta sexta-feira (2) que sugere que quatro em cada cinco pessoas que sofreram perda do olfato e/ou do paladar deram positivo para anticorpos contra a COVID-19. O resultado da pesquisa foi publicado na revista especializada PLOS Medicine.

O grupo de cientistas responsável pela publicação, liderado por Rachel Batterham, acredita que a perda olfativa deve ser colocada como um sintoma-chave da doença causada pelo coronavírus.

Como se sabe, uma das consequências da COVID-19 pode ser a redução da capacidade dos enfermos em sentir cheiros ou gostos. Contudo, a prevalência de anticorpos em pessoas que relatam esses sintomas ainda é desconhecida.

Essas constatações são destaque na publicação feita para PLOS Medicine. Analogamente, os cientistas alertam que a perda desses sentidos "ainda não é bem usada ou compreendida no momento de diagnosticar a doença".

A pesquisa

Os pesquisadores estudaram 590 voluntários que tiveram perda do olfato ou do paladar. Destes, 567 foram testados para o coronavírus, e 77,6% testaram positivo para anticorpos SARS-CoV-2. No total, 80,4% dos participantes que relataram perda de olfato e 77,8% daqueles que relataram perda de paladar tiveram um resultado positivo no teste. O estudo também verificou que quase 40% dos que testaram positivo para anticorpos não apresentaram febre nem tosse.

A pesquisa também sugere que pessoas com perda de olfato tenham quase três vezes mais probabilidade de ter uma defesa contra o vírus em comparação aos que perderam o paladar. Para Batterham e sua equipe, isso sugere que a ausência de cheiro é um sintoma muito específico da COVID-19, e por isso precisa ser levada mais em conta na realização de testes, no isolamento de pessoas e nas estratégias de tratamento.

"Este estudo sugere que a dependência excessiva da tosse e da febre como principais sintomas pode ser defeituosa e que há uma necessidade urgente de reconhecer a perda do olfato globalmente como um sintoma-chave desta doença", destacam os cientistas na publicação.

"O reconhecimento público precoce dos sintomas da COVID-19, juntamente com o rápido autoisolamento e testes PCR, são vitais para limitar a propagação da doença", frisou Batterham, que ressaltou que a perda repentina de olfato não tem tido a relevância que deveria.

"Nossas descobertas sugerem que as pessoas que constaram uma perda em sua capacidade de perceber odores domésticos como alho, café e perfumes devem se autoisolar e passar por testes PCR. A perda do olfato deve ser reconhecida globalmente pelos formuladores de políticas como um sintoma-chave da COVID-19", resumiu.

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