Noruega procura ressuscitar acordo militar da Guerra Fria com EUA

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Durante a Guerra Fria, a Noruega recebeu gratuitamente 300 caças e 8.000 veículos militares norte-americanos. Na Segunda Guerra Mundial, as Forças Armadas do país europeu foram devastadas.

A Noruega e os EUA estão trabalhando para atualizar o Acordo de Assistência Mútua em Defesa concluído nos anos 1950, informou o jornal militar norueguês Forsvarets Forum.

O Ministério da Defesa da Noruega está muito atento às informações, não revelando nem o motivo das negociações, nem seu conteúdo.

"Não foi definida uma data final para as negociações entre os EUA e a Noruega. É muito cedo para dizer algo mais sobre o processo agora", afirmou o assessor de imprensa do Ministério da Defesa, Lars Gjemble, à emissora nacional NRK.

Durante a Guerra Fria, a Noruega recebeu 300 aviões de caça e 8.000 veículos militares gratuitamente. Até 1996, o montante total de ajuda dos EUA à Noruega atingiu 83 bilhões de coroas norueguesas (R$ 48,4 bilhões).

Quando o acordo entre os EUA e a Noruega foi celebrado em 1950, a Noruega procurou acima de tudo fortalecer suas Forças Armadas no país, que haviam sido devastadas pela Segunda Guerra Mundial e precisavam de armas e assistência do exterior. Para os EUA, era uma oportunidade de salvaguardar seus interesses de segurança.

A ajuda militar norte-americana não deve ser confundida com a ajuda civil fornecida através do Plano Marshall. A partir de 1948, a Noruega recebeu o que hoje é equivalente a 60 bilhões de coroas norueguesas (R$ 35 bilhões), que foi gasto na compra de produtos agrícolas, petróleo, carvão e bens industriais.

CC BY 2.0 / Departamento de Defesa dos EUA / Fuzileiros navais de vários países participam de exercícios militares na Noruega
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Fuzileiros navais de vários países participam de exercícios militares na Noruega

As negociações não passaram desapercebidas pelos críticos. O líder do partido Vermelho, Bjornar Moxnes, argumentou que uma cooperação militar mais estreita com os EUA era o caminho errado para a Noruega, pois leva a uma rivalidade de superpotências nas áreas vizinhas do país.

De acordo com Moxnes, o acordo militar renovado levará a mudanças na política de segurança norueguesa que entrarão em conflito com os interesses noruegueses, salientando que o público não foi devidamente informado sobre as negociações.

"Infelizmente, vemos repetidamente que o governo prioriza a lealdade aos Estados Unidos em detrimento da abertura e da democracia. Em geral, deve ser uma questão natural que o Parlamento seja informado sobre todos os tipos de acordos que têm impacto na política de segurança norueguesa", ressaltou Moxnes à NRK, exigindo uma resposta de Frank Bakke-Jensen, ministro da Defesa.

Orientação militar da Noruega

Nos últimos anos, a Noruega tem desfrutado de ampla cooperação com os EUA, que inclui escalas portuárias por submarinos e presença de fuzileiros navais norte-americanos em regime de rotação, vigilância e numerosos exercícios militares conjuntos. Os principais políticos da Noruega citam frequentemente as atualizações militares da Rússia na região do Ártico como a razão subjacente.

Ao mesmo tempo, a Noruega intensificou a cooperação com outros países nórdicos. No início desta semana, a Noruega assinou um acordo de cooperação trilateral com a Suécia e a Finlândia, que, nas palavras do ministro de Defesa sueco Peter Hultqvist, significa especificamente um "sinal para a Rússia".

Nos últimos anos, as relações bilaterais russo-norueguesas têm se deteriorado, devido a acusações recíprocas de espionagem e rearmamento, levando à desconfiança mútua.

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