'Com alvo nas costas': por que as tropas dos EUA abandonam Iraque e Afeganistão?

© Foto / Marinha dos EUA/ Chandler HarrellFuzileiros navais norte-americanos participam dos exercícios militares no oceano Pacífico
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Centenas de milhares de vítimas, cidades destruídas e o ódio mal disfarçado da população civil – o Pentágono está retirando a maioria de suas tropas do Iraque e Afeganistão.

Ao longo de anos de combate eles não conseguiram atingir seus objetivos, trazendo apenas caos a estes países. Por que os americanos decidiram abandonar o que começaram e fugir foi explicado por vários especialistas à Sputnik.

Planos falhos

A decisão de fazer regressar as tropas foi tomada por Washington ainda na primavera. Por enquanto no Afeganistão permanecem 8.500 soldados e oficiais, este é o resultado de um tratado de paz assinado entre o governo dos EUA e o Talibã. Segundo este documento, os americanos devem retirar suas tropas de cinco bases militares ao longo de 14 meses. O Talibã por sua vez, prometeu liberar o país dos terroristas.

Esta guerra é a mais longa da história dos EUA. As tropas americanas invadiram o país em 2001, logo após os ataques de 11 de setembro. O objetivo da campanha era combater o terrorismo internacional e os talibãs, que abrigavam os cabecilhas da Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia).

O contingente foi aumentando constantemente atingindo 110.000 militares. Em mais de 19 anos de missões no país, os americanos perderam mais de 2.300 soldados, cerca de 20.000 foram feridos. Além disso, a população civil também sofreu muito, centenas de afegãos morrem anualmente por causa de ataques aéreos errôneos.
© AP Photo / Rahmat GulForças de segurança se posicionam na região da base aérea de Bragram, na província de Cabul, no Afeganistão, em 11 de dezembro de 2019 (foto de arquivo)
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Forças de segurança se posicionam na região da base aérea de Bragram, na província de Cabul, no Afeganistão, em 11 de dezembro de 2019 (foto de arquivo)

Os inúmeros instrutores dos EUA não conseguiram preparar eficazmente o Exército afegão para combater o terrorismo. Embora tenham sido enviados ao longo dos anos armamentos e equipamentos avaliados em bilhões de dólares e tenham sido construídas dezenas de bases de treinamento, mesmo assim os afegãos não aprenderam a combater, nos últimos cinco anos foram mortos mais de dez mil militares afegãos.

De acordo com o professor da Academia de Ciências Militares Sergei Sudakov, os americanos não conseguiram alcançar resultados significativos na luta contra os terroristas. O mais importante, segundo Sudakov, não é a quantidade de tropas implantadas, mas sim os resultados. Os estadunidenses não conseguiram tornar a região estável e lidar com os muitos grupos terroristas existentes lá.

Os norte-americanos nunca sairão completamente do Afeganistão, as empresas militares privadas permanecerão no país.

"Eles vão continuar a resolver tarefas práticas. Sair do país significaria abrir as fronteiras aos terroristas e ficar sem fontes de informação, deitar tudo a perder, tudo aquilo que se formou durante anos. Os americanos não se importam com o modo como o terrorismo se espalha no espaço pós-soviético ou na Europa. Eles precisam proteger seu próprio território", opina o especialista.

'Com alvo nas costas'

Já no Iraque há aproximadamente cinco mil militares dos EUA. Donald Trump prometeu reduzir o contingente para três mil. Conforme o professor da Escola Superior de Economia de Moscou Andrei Chuprygin, isto acontece porque os militares americanos se sentem menos confortáveis neste país.

© AP Photo / Qassim Abdul-ZahraConsequências do bombardeamento iraniano à base militar Ain Al-Asad no Iraque, 13 de janeiro de 2020 (imagem referencial)
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Consequências do bombardeamento iraniano à base militar Ain Al-Asad no Iraque, 13 de janeiro de 2020 (imagem referencial)
"Ultimamente, especialmente após a liquidação do comandante iraniano Qassem Soleimani em Bagdá, a situação dos EUA no Iraque não é muito boa. Lá explodem constantemente comboios [militares], são realizados ataques de mísseis contra locais de estacionamento das tropas dos EUA. Isto não lhes aumenta o desejo de ficar nestas áreas com um alvo nas costas", explicou.

De acordo com o especialista, muitas coisas indicam que o presidente americano Trump tem ponderado seriamente se tem sido correta a intervenção militar nos assuntos de países terceiros.

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