SIPRI: mundo segue modernizando arsenais nucleares apesar de Rússia e EUA reduzirem ogivas

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O Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo informa que os países que não a Rússia e os EUA estão aumentando a quantidade e a qualidade das suas forças nucleares.

O número global de armas nucleares no mundo está diminuindo graças à Rússia e aos EUA, mas outras potências nucleares continuam modernizando os seus arsenais, afirmou o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês) em um comunicado de imprensa do relatório anual sobre o desarmamento, na segunda-feira (15).

"A diminuição do número global de armas nucleares no mundo em 2019 se deveu em grande parte ao desmantelamento das armas nucleares pela Rússia e pelos EUA, que, em conjunto, ainda possuem mais de 90% das armas nucleares mundiais", afirmou o SIPRI, acrescentando que "apesar da diminuição global do número de ogivas nucleares em 2019, todos os Estados detentores de armas nucleares continuam modernizando seus arsenais nucleares".

O SIPRI afirmou ainda que, apesar de os arsenais de outros Estados nucleares serem significativamente inferiores aos da Rússia e dos EUA, todos eles começaram a desenvolver ou a implantar novos sistemas de lançamento destas armas, ou anunciaram sua intenção de o fazer.

Segundo o instituto, a China está "em meio a uma modernização significativa do seu arsenal nuclear", que inclui o desenvolvimento, pela primeira vez, da chamada tríade nuclear, composta por novos mísseis terrestres, marítimos e aeronaves com capacidade nuclear.

"A Índia e o Paquistão estão aumentando lentamente a dimensão e a diversidade das suas forças nucleares, enquanto a Coreia do Norte continua dando prioridade ao seu programa nuclear militar como elemento central da sua estratégia de segurança nacional", se lê no comunicado.

No início de 2020, os nove Estados detentores de armas nucleares (EUA, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte) possuíam, em conjunto, cerca de 13.400 armas nucleares, um decréscimo em relação ao ano anterior (13.865), de acordo com o comunicado do SIPRI.

A redução das armas nucleares por Washington e Moscou acontece devido ao tratado Novo START, que entrou em vigor em 5 fevereiro de 2011 e deve terminar em fevereiro de 2021. Neste momento, ainda não há acordo para prolongar o tratado ou substituí-lo por um novo.

"O impasse sobre o Novo START e o colapso em 2019 do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), assinado entre a URSS e os EUA em 1987, sugerem que a era dos acordos bilaterais de controle de armas nucleares entre a Rússia e os EUA pode estar chegando ao fim", diz Shannon Kile, diretor do Programa de Desarmamento Nuclear, Controle de Armas e Não-Proliferação do SIPRI.

Anteriormente, o SIPRI relatou que os gastos totais em arsenais nucleares aumentaram em 2019, com os EUA impulsionando a maior parte do aumento, apesar de terem menos ogivas que a Rússia.

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