Resposta ao coronavírus aumenta medo por fim da zona do euro, alerta Banco Central Europeu

© REUTERS / Kai Pfaffenbach / File PhotoNotas de 100 e 200 euros são exibidas no Banco Federal da Alemanha em Frankfurt
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O impacto da pandemia de COVID-19 na economia da zona do euro tem sido significativo, segundo o Banco Central Europeu (BCE), aumentando as vulnerabilidades financeiras subjacentes da área do euro.

A Revisão de Estabilidade Financeira de maio de 2020 do BCE sugere que a vasta resposta fiscal dos governos do euro à pandemia poderia levantar questões sobre sua capacidade de pagar dívidas e reviver a ameaça de países que abandonam a moeda única.

"Se as medidas adotadas em nível nacional ou europeu forem consideradas insuficientes para preservar a sustentabilidade da dívida, a avaliação de mercado do risco de nova nominação poderá aumentar ainda mais", afirmou o BCE.

"Risco de nova denominação" refere-se ao perigo de alguns países deixarem o euro ou a moeda única entrar em colapso.

Segundo estimativas do BCE, a dívida pública da zona do euro como parcela da produção crescerá entre 7% e 22% em 2020, à medida que os governos emprestam centenas de bilhões de euros para apoiar suas economias. Isso elevou a relação dívida/PIB total da região de 86% para quase 103%.

Geralmente, os países da zona do euro têm como alvo a dívida pública abaixo de 60%, mas esse limite foi suspenso durante a crise do novo coronavírus. No entanto, o BCE enfatizou que os gastos do governo "amenizaram o impacto e espera-se que apoiem a recuperação econômica".

© AFP 2022 / Daniel RolandLogo do euro em frente da antiga sede do Banco Central Europeu, Frankfurt, Alemanha
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Logo do euro em frente da antiga sede do Banco Central Europeu, Frankfurt, Alemanha
"A pandemia causou uma das mais severas contrações econômicas da história recente, mas medidas políticas abrangentes evitaram um colapso financeiro", avaliou o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos.

"No entanto, as repercussões da pandemia nas perspectivas de rentabilidade bancária e nas finanças públicas de médio prazo precisarão ser abordadas para que nosso sistema financeiro possa continuar apoiando a recuperação econômica", acrescentou.

O regulador observou que as diferenças entre os rendimentos da dívida dos países "podem aumentar se os investidores avaliarem que a sustentabilidade da dívida pública se deteriorou".

"Uma contração econômica mais severa e prolongada do que a prevista [...] arriscaria colocar a relação dívida pública/PIB em um caminho insustentável", provocando temores de uma "cascata" no restante da economia, afirmou o BCE.

Segundo o BCE, as avaliações bancárias em toda a região caíram para níveis mínimos e os custos de financiamento aumentaram. Espera-se agora que o retorno sobre o patrimônio dos bancos da área do euro em 2020 seja "significativamente menor" do que era antes da pandemia.

A autoridade de supervisão bancária do BCE recomendou que os bancos se abstivessem temporariamente de "pagar dividendos ou recomprar ações, fortalecendo sua capacidade de absorver perdas e evitar a desalavancagem". Espera-se que essas medidas de capital permaneçam em vigor até que a recuperação econômica esteja "bem estabelecida", completou o relatório do BCE.

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