Preços do petróleo negativos? Analista explica valores baixíssimos e sistema bancário quebrado

© AP Photo / Richard DrewBolsa de valores de Nova York (foto de arquivo)
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A queda drástica do preço do petróleo, passando para níveis negativos, é apenas um dos "membros amputados" de um "monstro bancário moribundo", diz especialista, alertando que as consequências no longo prazo da crise de 2008 tornaram inúteis os sinais apresentados pelos preços.

O preço dos contratos do petróleo WTI, usado como a principal referência no mercado petrolífero dos Estados Unidos, registrou nesta segunda-feira (20) uma queda sem precedentes, estabelecendo um mínimo histórico de US$ -37,63 por barril e passando pela primeira vez para níveis negativos desde a abertura da bolsa New York Mercantile Exchange em 1983.

A queda-livre dos preços foi impulsionada pelo declínio da demanda em meio à pandemia de coronavírus e as consequências da guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, disse Max Keiser, especialista e comentador da mídia RT, advertindo que os problemas vão muito mais longe e apontando para as falhas estruturais profundas enraizadas na economia mundial.

"Pessoas exteriores ao assunto ficam totalmente perplexas quando ouvem que o preço do petróleo se tornou negativo, e eles têm toda a razão para pensar que algo está fundamentalmente errado com este mercado. Preços negativos dos futuros do petróleo significam que você está pagando para alguém comprar seu petróleo", disse Keiser.

Também poderia ser uma tarefa difícil para pessoas exteriores ao assunto entender o conceito de taxas de juros negativas, quando os títulos do Tesouro no curto prazo baixaram por pouco tempo no fim do mês passado, disse Keiser, observando que os preços baixíssimos representam mais uma prova de que o sistema financeiro global ficou "destruído irreparavelmente" durante a crise de 2008, quando os bancos foram "esmagados até a morte" sob o peso de dívida não colateralizada avaliada em US$ 200 trilhões.

"Devemos considerar os preços negativos do petróleo e taxas de juros negativas como partes cortadas do corpo de um monstro bancário desmembrado, espalhados pelo açougue de financeirização que criamos com dinheiro barato e desregulamentação infinita", opina especialista.

Esperando apoiar bancos insolventes com US$ 500 trilhões de dinheiro sem lastro, as soluções oferecidas pelos governos mundiais desde a crise de 2008 em grande medida falharam completamente. "Agora em 2020 o cadáver em decomposição dos bancos globais, mortos desde 2008, está se desintegrando diante de nossos olhos e todos os sinais de preços de todos os mercados se tornaram sem sentido", concluiu.

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