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Economista explica 'epidemia' no mercado financeiro brasileiro

© Folhapress / Alessandro ShinodaVista interna da sede da Bovespa, em São Paulo (arquivo)
Vista interna da sede da Bovespa, em São Paulo (arquivo) - Sputnik Brasil
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O surto do novo coronavírus tem gerado preocupações mundo afora não apenas para a saúde pública, mas também para a economia, fato que foi constatado pelo Brasil logo após a confirmação do primeiro caso de contaminação no país.

O pânico que tomou conta do Brasil após a notícia sobre o primeiro caso confirmado da COVID-19 no país foi sentido também no mercado financeiro. Na última quarta-feira (26), na volta do carnaval, o principal índice da Bovespa registrou queda de 7%, a 105.718 pontos. 

O recuo, o maior desde maio de 2017, foi acompanhado ainda por um novo recorde na cotação do dólar, que atingiu pela primeira vez a marca de R$ 4,44 no fechamento nominal. 

​Embora pareça exagerada para alguns, a preocupação dos investidores tem alguns motivos lógicos, como explica o economista Alexandre Cabral, especialista em mercado financeiro e professor do Ibmec-SP.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o analista destaca que, em primeiro lugar, vale lembrar que a China demorou um pouco a relatar para o mundo o que estava acontecendo, indicando uma pequena possibilidade de a doença provocada pelo novo coronavírus já ter se alastrado "um pouco antes de se tornar conhecida". Fora isso, dias antes da confirmação do primeiro caso no Brasil, no último final de semana, a notícia sobre a propagação do vírus na Itália também já havia acendido um alerta, já que a região afetada corresponde a 30% do Produto Interno Bruto do país e, além disso, se caracteriza por ter um importante setor industrial. A partir daí, a confirmação de mais casos em outros países europeus trouxe ainda mais insegurança.

"No meio da Europa já está tendo contaminação. E, com isso, o mundo ficou com medo, do tipo: se parar 30% do PIB italiano e parar uma parte considerável da indústria chinesa, o PIB do mundo sente. Então a economia do mundo sente e ela se retrai."

No caso do impacto no câmbio, o professor explica que, como os Estados Unidos ainda estão um pouco isolados da região foco do coronavírus, há uma expectativa de fuga de investimentos para os EUA, o que leva a uma valorização internacional da moeda norte-americana.

"Já temos problemas de juros baixo. Está evitando segurar o capital especulativo de juros. Mais a notícia da valorização natural da moeda americana devido a uma fuga de capitais em direção aos Estados Unidos, piora ainda mais a nossa desvalorização", afirma o especialista.

Embora o Banco Central, segundo Cabral, esteja tomando algumas medidas para evitar um cenário mais prejudicial para a economia brasileira, o BC não tem condições de fazer com que o real se valorize fortemente por conta própria, pois isso dependeria de uma "reação em cadeia mundial". 

"Enquanto o dólar não se desvalorizar no mundo, o BC não tem muito o que fazer."

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