Rússia precisa mesmo de 'trem nuclear'? Especialista pondera

© Sputnik / Aleksei Danichev / Abrir o banco de imagensSistema de mísseis ferroviários Molodets e sistema de artilharia ferroviária TM-3-12, apresentados em exposição de rua em São Petersburgo, Rússia
Sistema de mísseis ferroviários Molodets e sistema de artilharia ferroviária TM-3-12, apresentados em exposição de rua em São Petersburgo, Rússia - Sputnik Brasil
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O projeto russo de mísseis Barguzin, movidos em trens, pode ser ressuscitado, sobrando uma única questão quanto à precisão da Rússia em ressuscitá-lo, pondera especialista em segurança internacional.

Para o acadêmico Aleksei Arbatov, a declaração do especialista Yuri Solomonov, que disse que o míssil Yars foi projetado também para um vagão ferroviário, sugere que isso é um sinal de que o "Barguzin pode ser ressuscitado".

"Outra questão é se isto é tecnicamente racional. Os sistemas móveis de transporte no solo são muito mais universais: não exigem ferrovias, pontes e sua rota é imprevisível, enquanto que pela ferrovia é visível", afirmou o acadêmico em Genebra, à margem da reunião do Fórum do Luxemburgo.

Segundo o especialista, a experiência do míssil ferroviário soviético mostrou que as estações de base são "extremamente vulneráveis, e não é um fato que as ferrovias possam rapidamente evitar um ataque", mas o risco de sabotagem deve ser considerado.

Na opinião de Arbatov, "muitos escrevem" que o Barguzin "vai viajar por todo o país", mas esquecem que durante um período pré-guerra, qualquer rede ferroviária fica sobrecarregada com o movimento de tropas e carga.

© Foto / Transporte ferroviário russo JSCTrem nuclear russo, também chamado de Complexo de Combate Ferroviário de Mísseis
Rússia precisa mesmo de 'trem nuclear'? Especialista pondera - Sputnik Brasil
Trem nuclear russo, também chamado de Complexo de Combate Ferroviário de Mísseis

"Podíamos ter inventado Yars para bombardeiros e submarinos pesados, e em vez do Bulava podíamos tê-lo feito maior, pô-lo em jangadas e colocá-lo no fundo do mar - mas pra quê? Precisamos ser mais racionais aqui", resumiu.

Suspensão do sistema

O análogo soviético do Barguzin, equipado com o míssil Molodets, foi retirado das Forças Armadas russas de acordo com as condições do Tratado START II (Tratado de Redução de Armas Estratégicas) em 2015. O START III não proíbe a criação de novos sistemas. Esperava-se que o novo Barguzin superaria seu antecessor em precisão, alcance de voo dos mísseis e outras caraterísticas.

Esperava-se que a nova geração de Barguzin fosse desenvolvida até 2018, mas em 2017 foi informado que o trabalho sobre a criação do novo sistema foi suspenso.

Como funciona

O sistema Barguzin é constituído por um trem idêntico a um trem de mercadorias. Mas dentro dos vagões são alocados três mísseis balísticos intercontinentais com 30 ogivas de 550 quilotons cada uma. A bordo também há centros de comando, sistemas tecnológicos e de comunicação, além do pessoal da guarnição.

CC BY-SA 4.0 / Vitaly V. Kuzmin / RT-23 UTTKh ICBMSistema de mísseis RT-23 Molodets
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Sistema de mísseis RT-23 Molodets

Em caso de ameaça de guerra nuclear, o Barguzin entra no sistema ferroviário e circula camuflado entre os demais trens. Depois de receber a ordem de ativação, o trem para e se prepara para o ataque. O teto dos três vagões se abre e os equipamentos que estavam escondidos colocam as plataformas de lançamento em posição vertical. Em alguns minutos, é feito o lançamento.

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