Febre do paládio: ouro do século XXI abre novos horizontes para Ártico russo

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O interesse pelo paládio, um dos metais mais valiosos, está aumentando nos últimos anos. O preço deste metal aumentou significativamente, superando inclusive o valor do ouro.

A Rússia tem um plano para desenvolver a exportação de paládio a partir da região ártica russa, onde há quantidade abundante deste metal.

O presidente russo Vladimir Putin, no âmbito da recente reunião com o presidente da empresa Russian Platinum, Musa Bazhaev, avaliou a situação da exploração de paládio.

No verão do ano passado, esta empresa, em cooperação com a companhia russa Norilsk Nickel, criaram a Arctic Palladium.

Durante o encontro, o diretor-executivo da empresa informou o presidente sobre os resultados obtidos neste sentido.

De acordo com Bazhaev, se prevê que a recém-criada companhia possa produzir cerca de 120 toneladas de metais do grupo das platinas, que inclui o paládio. A África do Sul, o maior produtor destes metais, extraiu 110 toneladas em 2018, enquanto em 2017 a quantidade foi de 143 toneladas. Países como o Canadá, EUA e Zimbabué também possuem reservas consideráveis de paládio.

Segundo as avaliações dos gerentes, a receita anual da empresa irá rondar os 7 bilhões de dólares. Durante a reunião com Bazhaev, Putin destacou que os indicadores eram "muito bons". Prevê-se que o projeto permita à Rússia ocupar o primeiro lugar no ranking dos países produtores de platinoides.

Mercado estável

O preço do paládio tem estado em alta desde o início de 2016. O crescimento da demanda deste metal tem a ver com facto de os veículos a diesel estarem sendo gradualmente substituídos por carros a gasolina.

A razão do aumento da procura está relacionada com o uso de paládio na produção de conversores catalíticos ou catalisadores para os motores de gasolina, que transformam os gases de escape.

A utilização destes dispositivos é obrigatória em muitos países que procuram limitar as emissões para a atmosfera, especialmente na União Europeia, onde foi estabelecido um mecanismo de controlo rigoroso.

A cotação do paládio cresceu consideravelmente nas bolsas mundiais precisamente por seu uso em componentes de automóveis. A procura depende da situação econômica na indústria de automóveis em cada país. E é exatamente isso que eleva o seu preço constantemente.

Apenas em 3 anos, o valor disparou de 500 dólares por onça para 1.700. O preço atual é o maior em toda a história, tendo inclusive superado o do ouro, que se encontra cotado a menos de 1.500 dólares por onça.

Material multifuncional

O uso do paládio na indústria automóvel se estima em 70% do mercado. Para além disso, o material é utilizado em vários outros ramos, incluindo a eletrônica (que conta com 10%), a química, a medicina e joalharia, cada uma com 5 %. O paládio é também utilizado na produção de equipamento de uso militar, aeroespacial e civil.

Nos últimos anos, a utilização deste metal em medicina também aumentou consideravelmente. O paládio e suas ligas são componentes-chaves de muitas ferramentas e dispositivos médicos.

Este material é bastante aplicado na produção de marcapassos cardíacos e, às vezes, para fabricar próteses dentárias.

Espera-se que o projeto da empresa Arctic Palladium traga desenvolvimento socioeconômico à região setentrional da Rússia.

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