Por que al-Baghdadi teria fugido para território inimigo? Analista comenta captura de terrorista

© AFP 2022 / Omar Haj KadourPossível local da operação norte-americana que teria assassinado Abu Bakr al-Baghdadi, no nordeste da Síria, no dia 28 de outubro de 2019
Possível local da operação norte-americana que teria assassinado Abu Bakr al-Baghdadi, no nordeste da Síria, no dia 28 de outubro de 2019 - Sputnik Brasil
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Neste domingo (27), o presidente Donald Trump anunciou a liquidação do líder do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e demais países) após uma operação em Idlib, no nordeste da Síria. Após testes de DNA terem comprovado a identidade do terrorista, algumas perguntas sobre a operação seguem sem resposta.

Em pronunciamento feito neste domingo (27), Donald Trump descreveu a operação norte-americana que teria eliminado Abu Bakr al-Baghdadi, líder da organização terrorista Daesh.

Ontem à noite, os EUA levaram o líder terrorista número um do mundo à justiça. O presidente Donald Trump fala sobre a morte de Abu Bakr al-Baghdadi, fundador e líder do ISIS [Daesh].

O serviço em inglês da Rádio Sputnik recebeu o analista de relações internacionais e segurança Mark Sleboda para conversar sobre o ocorrido e dissecar os detalhes da operação norte-americana.

O petróleo sírio

De acordo com o analista, o interesse dos EUA neste momento é garantir a posse do petróleo sírio:

"O interesse deles agora é se apossar do petróleo da Síria. O Ministério da Defesa da Rússia chegou mesmo a acusar os Estados Unidos de estarem envolvidos em contrabando de petróleo sírio", lembrou o analista.

De fato, o major-general russo Igor Konashenkov acusou os Estados Unidos de contrabandearem petróleo, com base em imagens de satélite, publicadas neste sábado (26).

© Sputnik / Mikhail VoskresenskyPoço de petróleo nos arredores da cidade síria de Deir ez-Zor, na Síria
Por que al-Baghdadi teria fugido para território inimigo? Analista comenta captura de terrorista - Sputnik Brasil
Poço de petróleo nos arredores da cidade síria de Deir ez-Zor, na Síria

O major-general classificou a presença de tropas e a fortificação do terreno em torno dos poços de petróleo de al-Hakashah como "banditismo estatal internacional".

Uma empresa citada por Konashenkov é a norte-americana Sabcab (também conhecida como Sedcab). Apesar de ter sido criada com apoio da comunidade curda local, os seus lucros revertem para serviços de inteligência e empresas de segurança privadas ligados aos EUA.

© Sputnik / Sergei Melkonov / Abrir o banco de imagensTanques M1 Abrams norte-americanos (foto de arquivo)
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Tanques M1 Abrams norte-americanos (foto de arquivo)

Sleboda explicou que os lucros provenientes do petróleo contrabandeado financiam "operações especiais e secretas" dos EUA na região.

Captura de Baghdadi em Idlib gera questionamentos

O analista notou que a captura em Idlib do líder do Daesh é passível de questionamentos. A cidade é um reduto da Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e demais países), um grupo bastante hostil ao Daesh.

"É estranho que Baghdadi tenha fugido para Idlib, um território controlado pelos seus inimigos", ponderou.

A cidade, localizada a cerca de 8 quilômetros da fronteira com a Turquia, também seria de difícil acesso ao terrorista líder do Daesh:

"Para chegar até lá [Idblib], Baghdadi teria que ter atravessado muitos territórios inimigos: territórios controlados pelos curdos, pelos americanos, por milícias apoiadas pelos turcos, pelo governo sírio e pela Rússia", descreveu o analista.

O analista também notou que os norte-americanos não realizaram a operação a partir da Turquia, seu aliado da OTAN, preferindo realizá-la a partir do Iraque. Isso, segundo Sleboda, seria uma demonstração de que os norte-americanos não confiam no líder turco, Recep Tayyip Erdogan.

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