Analistas explicam por que EUA estariam recuando perante Turquia na questão dos F-35

© AP Photo / Petros KaradjiasCaça F-35B (foto de arquivo)
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Em entrevista à Sputnik Turquia, o general turco Erdogan Karakus e o jornalista Ceyhun Bozkurt comentaram a importância da Turquia para os Estados Unidos e as "concessões" de Washington perante Ancara.

Recentemente, as relações entre a Turquia e os Estados Unidos se tornaram tema de debate após Ancara adquirir sistemas russos de defesa antiaérea S-400. Em entrevista exclusiva à Sputnik Turquia, o tenente-general turco Erdogan Karakus e o jornalista Ceyhun Bozkurt, da revista turca Yorunge, analisaram o tema.

Volta ao F-35

Após encontro com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o senador republicado norte-americano Lindsey Graham demonstrou grande interesse no retorno da Turquia ao programa de produção dos caças F-35.

"Estamos tentando trazê-los de volta ao programa do F-35", publicou a fala do senador a Reuters.

Embora a fala do senador pareça contraditória com a decisão de Washington de afastar a Turquia do programa, ela estaria relacionada com a importância estratégica que o país tem para os Estados Unidos.

Além da participação turca na produção do caça, o senador demonstrou o desejo de fortalecer as relações econômicas com a Turquia, aumentando ainda mais a interdependência entre Washington e Ancara.

Aliado importante

No entanto, para o general Karakus, o afastamento da Turquia do escopo norte-americano seria uma perda muito significativa para os Estados Unidos no Oriente Médio. Segundo ele, a razão pela qual Washington voltou atrás no programa F-35 é o medo de perder um aliado estratégico tão importante como a Turquia.

"A Turquia é um fator importante na criação de uma zona de segurança na região a leste do [rio] Eufrates. Além disso, os americanos sabem muito bem que a compra dos S-400 pela Turquia não causará um vazamento de informações do F-35. É por isso que eles deram um passo atrás para suavizar as tensões com Ancara", disse o militar.

As anteriores afirmações de que os F-35 turcos poderiam ser espionados pelos russos por meio dos sistemas antiaéreos S-400 comprados pela Turquia não passariam de acusações pouco fundamentadas.

© AP Photo / Lefteris PitarakisSoldados do Exército turco preparam para usar tanques nos arredores da vila de Sugedigi, na Turquia, fronteira com a Síria.
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Soldados do Exército turco preparam para usar tanques nos arredores da vila de Sugedigi, na Turquia, fronteira com a Síria.

Além do mais, os interesses econômicos representam grande valor para Washington.

"Os EUA querem elevar as trocas comerciais com a Turquia até US$ 100 bilhões [cerca de R$ 417 bilhões]. Além disso, os EUA não querem perder um aliado estratégico tão importante como a Turquia por causa dos F-35", disse Karakus.

Ainda segundo o militar, mantendo a Turquia nos projetos do F-35 e dos mísseis de defesa antiaérea Patriot, Ancara permanecerá sob influência de Washington nas questões ligadas à região a leste do rio Eufrates.

Passo atrás

Além da compra dos S-400, os Estados Unidos se preocupam com as incursões militares turcas na Síria, no contexto de seu conflito com os curdos. Não conseguindo convencer seu aliado a mudar de política, os Estados Unidos decidiram criar uma zona de atuação conjunta, tentando assim limitar o poder da Turquia na Síria.

"Como a América não conseguiu dissuadir a Turquia de operar na área a leste do Eufrates, está pelo menos tentando convencê-la da necessidade de implementar um plano limitado para criar uma zona de segurança de oito quilômetros de extensão", disse o general.

Para Karakus, a criação da zona seria um passo atrás de Washington, ao invés de confrontar seu aliado.

Afastamento

Embora o governo norte-americano evite o agravamento das relações com Ancara, esta está se afastando cada vez mais dos EUA e se aproximando da Rússia e do mundo asiático.

Para os EUA, o custo da perda definitiva de um jogador geoestratégico importante na região euro-asiática, como é a Turquia, é incrivelmente alto. Neste caso, o equilíbrio de poder mudaria em favor do mundo asiático. Por conseguinte, a fim de evitar tal cenário, os EUA foram forçados a recuar.

Mesmo assim, a Turquia tem vindo a adquirir e a diversificar seus parceiros, o que leva sua política externa a ser mais balanceada.

"Mesmo que a Turquia reforce os laços com os EUA, ela não arriscará estragar suas relações com o espaço euroasiático. Sendo assim, a Turquia não mudará sua posição na região a leste do Eufrates", disse Ceyhun Bozkurt.

Ainda de acordo com o especialista, as recentes operações militares turcas na Síria deverão, no próximo mês de outubro, dar lugar a novos desenvolvimentos.

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