Poderá Japão reconciliar EUA com Coreia do Norte?

© AP Photo / Andrew HarnikPresidente norte-americano Donald Trump cumprimenta o premiê japonês Shinzo Abe (foto de arquivo)
Presidente norte-americano Donald Trump cumprimenta o premiê japonês Shinzo Abe (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A Coreia do Norte está mais perto de abandonar tentativas de resolver a questão nuclear através de negociações. De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Choi Seonhi, "o atual posicionamento mafioso dos EUA torna a situação perigosa e nossa liderança superior em breve anunciará decisão".

Por sua vez, o assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, já alertou que, caso Pyongyang planeje reiniciar testes nucleares e de mísseis, isso seria uma "má ideia". Bolton não ofereceu nenhuma solução para a situação.

O posicionamento firme dos EUA nas negociações, que se tornou uma das principais razões do fim sem resultados da cúpula em Hanói, foi sentido negativamente não só na Rússia e na China, mas também na Coreia do Sul.

De acordo com a administração do presidente sul-coreano, "na realidade é muito difícil conseguir a desnuclearização completa de repente", por isso é necessário "rever a estratégia de 'tudo ou nada'" e começar, se não com um pequeno acordo, mas pelo menos com um "acordo não tão ruim", e depois melhorá-lo.

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No entanto, o "fogo amigável" de Seul apenas força os EUA a procurarem outros aliados na execução da sua estratégia na península coreana, e o Japão pode vir a ocupar o principal lugar no processo. Tóquio se mantém firme sobre a questão do programa de mísseis nucleares, e, ao mesmo tempo, não deixa de tentar estabelecer diálogo.

O Japão anunciou que, pela primeira vez em 11 anos, não participaria na elaboração de uma resolução sobre os direitos humanos na Coreia do Norte para apresentação à comissão competente das Nações Unidas. O passo inesperado japonês pode forçar Pyongyang a procurar compromissos sobre a questão nuclear.

"O Japão já resolveu muitos problemas bilaterais com a Coreia do Norte e demonstrou uma política externa muito flexível ao estabelecer relações diplomáticas com a Coreia do Sul em 1965 e com a China em 1972. Portanto, podemos esperar que as melhores relações do Japão com a Coreia do Norte criem condições para um diálogo renovado entre os EUA e a Coreia do Norte", afirmou à Sputnik Park Jong Chol, professor da Universidade Nacional de Gyeongsang.

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Especialistas sul-coreanos acreditam que o governo de Moon Jae-in, fortalecendo o posicionamento norte-coreano com ações, tenha perdido a confiança de autoridades e especialistas americanos.

E agora o Japão tem um papel intermediário a desempenhar para intensificar as negociações. Mas, de acordo com o professor Park Jong Chol, este esquema não é tão simples.

"É importante que Tóquio resolva os problemas inacabados depois da Segunda Guerra Mundial durante o mandato de Shinzo Abe para garantir que o Partido Liberal Democrata se mantenha no poder. A China e a Rússia não têm como criar uma desculpa para que EUA e Coreia do Norte negociem, e, sim, seria difícil para a Coreia do Sul juntar EUA e Coreia do Norte à mesa de negociações", explica professor.

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Segundo Park Jong Chol, é óbvio que a atenção está concentrada no Japão. No entanto, ainda é difícil dizer se Donald Trump vai usar a "carta japonesa", pois Tóquio dialogaria com Pyongyang levando em consideração seus próprios interesses nacionais, reforça o analista.

A Coreia do Norte, por sua vez, está mais interessada do que ninguém em normalizar as relações com os EUA e, portanto, estará mais disposta a responder às propostas japonesas para resolver questões atuais nas relações bilaterais, concluiu especialista.

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