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Especialista: investigação sobre dark web se parece com investigações de cartéis de drogas

© REUTERS / Amanda PerobelliPolícia na Escola Estadual Raul Brasil depois do tiroteio em que 8 foram assassinados, Suzano, São Paulo, 13 de março de 2019
Polícia na Escola Estadual Raul Brasil depois do tiroteio em que 8 foram assassinados, Suzano, São Paulo, 13 de março de 2019 - Sputnik Brasil
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O massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, que deixou 10 mortos e 11 feridos na quarta-feira (13), expôs o avanço de grupos e crimes cibernéticos de propagação de ódio.

Ataques virtuais contra negros e mulheres e a incitação de crimes contra a vida são planejados e apoiados em fóruns na internet profunda, conhecida como dark web.

Policiais em torno da Escola Estadual Raul Brasil em Suzano - Sputnik Brasil
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Polícia: assassinos de Suzano teriam passado mais de um ano planejando chacina
Uma matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo diz que a comemoração do massacre nos fóruns da internet começou minutos depois do ataque ser noticiado.

"Homens de bem honrados", escreveu um usuário do fórum Dogolachan, abaixo da foto dos responsáveis pelo ataque mortos. "Temos os nossos primeiros atiradores sanctos formados no Dogola", completou outro, segundo o jornal.

Para Arthur Igreja, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), especialista em Tecnologia e Inovação, a investigação que foi aberta pelo Ministério Público Estadual (MPE) se assemelha com as investigações dos carteis de drogas dos anos 80, em que o único jeito de obter informações era se infiltrando nos grupos.

"Muitas vezes você não consegue interceptar ligações, interceptar comunicação [desses possíveis criminosos]. A investigação retoma aquele ponto de cartéis de drogas dos anos 80, onde os investigadores tinham que participar das comunidades para conseguir informações", disse em entrevista à Sputnik Brasil.

Entre 2017 e o ano passado, houve aumento de 29% no número de ações na Justiça acompanhadas pelo Ministério Público Federal (MPF) relacionadas a crimes de ódio na internet — os registros passaram de 342 em 2017 para 442 no ano passado.

Esse tipo de fórum fica em uma parte da internet em que é difícil rastrear os usuários, só acessível com um navegador que mascara seus dados, o Tor. Nos chamados "chans" os posts vão se somando em longas conversas que, em alguns casos, discorrem sobre assassinato, pedofilia, racismo e misoginia.

Segundo Arthur Igreja, no fórum que comemorou o ataque em Suzano, os membros, em geral, são homens jovens.

"O que fica muito claro com o perfil psicológico dos assassinos dessa semana é que é um perfil que não vai buscar ajuda, que pouco se comunica, são pessoas muito introvertidas e elas encontram um espaço onde a identidade não é demandada, um espaço perfeito justamente para trazer esse alter ego de agressividade", comentou.

Igreja explicou que a dark web foi incialmente criada para ser um canal confiável para pessoas que são perseguidas politicamente poderem se manifestar sem o monitoramento de órgãos repressores.

"Nós estamos falando muito ultimamente sobre a hiper vigilância das redes sociais, o outro extremo são os problemas gerados pelo hiper anonimado. Ou seja, a dark web é exatamente isso: um ambiente onde ninguém sabe quem é quem", completou.

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