O que impede intervenção militar de Washington em Caracas?

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O principal fator que impede os EUA de lançar uma intervenção militar na Venezuela é a espetacular estabilidade de suas Forças Armadas, confirma o colunista da Sputnik, Ivan Danilov.

Para o jornalista, hoje há muitos fatores que impedem a implementação de um "cenário de força" no país latino-americano e podem fazer com que Washington seja obrigado a se inclinar para uma resolução pacífica da crise.

"O bloqueio de forças da administração de Maduro passou com dignidade duas sérias provas de resistência", enfatiza o autor.

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O primeiro obstáculo enfrentado foi que nenhum dos altos funcionários das Forças Armadas venezuelanas passou para o lado da oposição, mesmo após os EUA e muitos países da União Europeia terem reconhecido o líder oposicionista Juan Guaidó como presidente interino.

Já a segunda prova passada foi quando caminhões carregados com ajuda humanitária chegaram à fronteira venezuelana.

"Apostava-se que ao ver um suborno tão grande, os militares e a Guarda Nacional Bolivariana não só deixariam entrar os caminhões no território do país caribenho, como também se juntariam às forças da oposição. Esse plano não funcionou", disse o analista.

Para Danilov, o governo Trump dificilmente pode esperar que a possível intervenção na Venezuela seja "fácil e bem-sucedida" por causa dessa resistência "surpreendente".

"Tudo isso limita seriamente a utilidade de um cenário de força para o apoio mediático de Trump, já que uma imagem com múltiplos caixões de soldados americanos não ajuda a aumentar a popularidade de um presidente", enfatizou o escritor, acrescentando que "o principal prêmio" que pode ser obtido na Venezuela é "seu petróleo".

O autor considera que outro fator que limita consideravelmente a possibilidade de uma intervenção militar é que a "diplomacia americana na esfera sul-americana falhou no contexto da crise venezuelana". Segundo Danilov, todas as ações do presidente dos EUA, incluindo as que têm graves consequências geopolíticas, são feitas para obter uma imagem benéfica para ser apresentada ao eleitorado.

Vários meios de comunicação relataram que Brasil, Peru, Chile, Colômbia e Canadá não apoiam uma possível intervenção militar. Por causa disso, "Washington não é capaz de criar uma coligação regional semelhante à que foi criada no Iraque", destaca o colunista, complementando que se os EUA agirem sozinho, irritarão os regimes pró-americanos na América do Sul e criarão graves problemas na região historicamente muito sensível ao intervencionismo.

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"A julgar pela improvisação do vice-presidente norte-americano Mike Pence, que tem que voar para a Colômbia para coordenar a operação venezuelana praticamente manualmente, pode-se deduzir que Washington não tem nenhum plano B", enfatiza.

Danilov acredita que a intervenção militar dos EUA na Venezuela só será possível se Washington ignorar todos esses fatores.

"Infelizmente, o desenvolvimento deste cenário não pode ser completamente excluído. No entanto, se isso acontecer, provavelmente criará problemas para os EUA e não oportunidades. Assim a agência Bloomberg escreveu que a possível intervenção militar na Venezuela seria um desastre", conclui.

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