Analista indica unificação entre Brasil e Argentina como mais provável que a das Coreias

© AFP 2022 / Ed JonesSoldados norte-coreanos tiram fotos de soldado sul-coreano e de militar norte-americano junto à linha de demarcação que separa as duas Coreias (foto de arquivo)
Soldados norte-coreanos tiram fotos de soldado sul-coreano e  de militar norte-americano junto à linha de demarcação que separa as duas Coreias (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A recente melhora nas relações entre as duas Coreias reforçou a ideia de que estes dois países poderiam se reunificar. O especialista em assuntos coreanos, Andrei Lankov, refletiu em uma entrevista exclusiva com a Sputnik os detalhes e condições deste possível cenário.

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União com a qual ninguém sonha

"A elite norte-coreana não o quer porque a unificação seria uma verdadeira sentença de morte para ela, eles perderiam o poder e nem sequer dispõem de recursos econômicos suficientes ", afirmou o especialista.

"É provável que, no final, os líderes norte-coreanos sejam julgados por terem cometido violações dos direitos humanos, independentemente de essas acusações serem verdadeiras ou falsas", acrescentou.

Ademais, a possível reunificação "não interessa aos cidadãos comuns da Coreia do Sul".

"Isso significaria simplesmente impostos iguais aos da Suécia com condições de trabalho vietnamitas. A unificação é uma coisa muito cara e seria paga pelos contribuintes sul-coreanos", disse o analista, referindo-se ao enorme abismo econômico entre o Norte e o Sul.

"A unificação também não agrada à classe dirigente sul-coreana porque ela não seria nada rentável nem para a elite nem para o país. Pelo contrário, seria, sem dúvida, uma dor de cabeça enorme", explicou o entrevistado.

Caminho alemão

O fato de ninguém estar interessado na reunificação não significa necessariamente que isso não ocorra, disse Lankov.

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"No entanto, a única maneira de alcançá-la é uma reunificação revolucionária através do caminho alemão, ou seja, a queda do atual governo da Coreia do Norte na sequência de eventos revolucionários e a ocupação efetiva do Norte pelo Sul. Seria algo parecido com o que aconteceu na Alemanha [em 1989]", explicou.

O analista reiterou que essa opção existe e é muito real, enquanto a possibilidade de uma reunificação voluntária parece praticamente impossível.

"Já o disse: e que tal falarmos de opções mais prováveis, como, por exemplo, a unificação voluntária entre a Argentina e o Brasil, ou a da França com a Inglaterra? […] Estas opções parecem ser menos quiméricas […]Talvez amanhã a Índia e o Paquistão acordem a unificação, o que poderia ser mais provável do que a suposta reunificação voluntária entre as duas Coreias", disse ironicamente.

Quando?

As mudanças, bem revolucionárias, podem ocorrer mesmo a curto prazo se as sanções impostas contra a Coreia do Norte provocarem uma crise econômica no país, o que, por sua vez, desencadearia uma crise política, prognostica Lankov.

Também é possível que a reunificação nunca aconteça, se a política de reformas econômicas que as autoridades norte-coreanas estão realizando no momento for bem-sucedida.

De acordo com o especialista, esta política é muito prudente, portanto, isso pode ser transformado em uma "ditadura do desenvolvimento" na Coreia do Norte no futuro.

O respectivo sistema assemelharia o país à China ou ao Vietnã de hoje, ou mesmo à Coreia do Sul da década de 1960, ou seja, do tempo do governo do presidente Park Chung-hee, acrescentou.

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"A dita 'ditadura do desenvolvimento' poderia existir por muitos séculos futuros, até é possível que o país se torne uma democracia; mas nessa altura o Norte e o Sul se converterão em dois Estados sem nada em comum ", disse ele.

As diferenças entre os dois países já são enormes a tal ponto que, às vezes, os habitantes do Norte e do Sul já não se entendem, comentou o entrevistado.

"Em 100 anos ou mais, os dois terão menos vontade de se unificarem do que a Alemanha e a Áustria têm agora. A reunificação pode ocorrer em dois anos ou nunca", concluiu.

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