Saiba como URSS 'ofereceu' tecnologia furtiva aos EUA

© AFP 2022 / EMMANUEL DUNANDUm soldado da Força Aérea dos EUA perto do avião stealth F-117 Nighthawk
Um soldado da Força Aérea dos EUA perto do avião stealth F-117 Nighthawk - Sputnik Brasil
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Os modernos aviões com tecnologia stealth, desde o primeiro F-117 até os mais sofisticados caças estadunidenses, russos e chineses, de fato, devem sua principal vantagem estratégica aos esforços de um físico soviético, responsável pela formulação da teoria que permitiu às aeronaves não serem detectadas pelos radares inimigos.

O Pentágono sempre procurou estar na vanguarda dos seus possíveis rivais no campo da tecnologia militar.

Com o surgimento de mísseis antiaéreos, que apareceram nos anos 50, a superioridade da aviação dos EUA começou a ficar comprometida e o país passou a procurar novas maneiras de recuperar a supremacia perante o desafio dos radares.

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Os engenheiros militares americanos experimentaram vários métodos. Por exemplo, tentaram usar uma camada de tinta protetora que absorvia as ondas de rádio, algo que foi usado no desenho dos famosos aviões de espionagem U-2 e SR-71, embora sua característica principal fosse sua alta velocidade e não sua invisibilidade, relembra o jornal alemão Stern.

Tudo mudou quando cientistas norte-americanos adquiriram as traduções das obras do físico soviético Pyotr Ufimtsev, o pai das tecnologias furtivas. Ele desenvolveu a teoria e a fórmula que fez os aviões "desaparecerem" dos radares inimigos.

Os próprios engenheiros dos EUA qualificaram o trabalho de Pyotr Ufimtsev como um "avanço na tecnologia furtiva", diz Gernot Kramper, autor do artigo da edição alemã.

Ao dominar a tecnologia do físico soviético, os EUA criaram e fabricaram vários protótipos que culminaram na aeronave F-117A Nighthawk.

"Na verdade, o design tão feio do F-117A não tinha nada a ver com a possibilidade de desaparecer dos radares. Os computadores da época simplesmente não eram capazes de calcular corretamente como as ondas de rádio se refletiriam no avião", explica Kramper.

O F-117A foi modernizado até chegar aos bombardeiros estratégicos B-2 Spirit e aos caças F-22 Raptor. A partir deles, já surgiu a família dos F-35. Hoje, os caças furtivos são a principal vantagem tecnológica da aviação americana contra qualquer adversário, embora a Rússia e a China tenham recentemente apresentado aeronaves semelhantes.

Deve-se notar que a contribuição de Pyotr Ufimtsev não se limita a ter formulado a teoria que deu origem ao conceito "stealth".

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Em 1990, o cientista passou a lecionar na Universidade da Califórnia como professor convidado. Ao mesmo tempo, ele começou a colaborar com a Northrop Grumman no desenvolvimento do bombardeiro B-2. Lá, ele recebeu a medalha Grumman por suas contribuições científicas.

Seus colegas e ex-alunos na Rússia culparam a crise no país, a mesma que acabou com a URSS, por o cientista se ter mudado para os Estados Unidos. Isso levou a que as novas aeronaves que estavam sendo desenvolvidas na Rússia não tivessem utilizado a tecnologia que o cientista desenvolveu. Esta apenas foi experimentada para tornar os mísseis balísticos invisíveis.

"Já há sintomas do declínio das aeronaves 'stealth'. Evitam ser detectadas por radares convencionais, mas resulta que você pode usar os chamados ‘radares passivos' para detectá-las", adverte o autor.

Por exemplo, Kramper destaca as declarações do Ministério da Defesa da Rússia sobre "as fantasias" das tecnologias furtivas.

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No entanto, em qualquer caso, apenas os adversários diretos dos EUA serão capazes de neutralizar as vantagens da tecnologia furtiva.

Até que haja um confronto militar entre duas potências tecnicamente comparáveis, qualquer discussão sobre o funcionamento de tecnologias "é pura especulação", manifesta o autor.

O que se sabe hoje é que os aviões furtivos "provaram estar muito acima de seus adversários tecnologicamente menos avançados", concluiu.

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