Terra dividida: o que impede reunião entre judeus e árabes nos Territórios Palestinos?

© REUTERS / Ammar Awad Soldados israelenses durante confrontos com palestinos em Belém
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Em meio aos 70 anos da divisão do território palestino, o israelense de origem argentina, Meir Margalit, explicou à Sputnik o que impede o fim do conflito na região e que papel pode desempenhar a América Latina na resolução do mesmo.

A resolução 181, votada em 29 de novembro de 1947 na Assembleia Geral da ONU, determinou a divisão do território palestino em dois Estados, o judeu e o árabe. Para Margalit, ex-vereador e fundador do Comitê contra Demolição de Casas Palestinas, os anos passados permitem reconhecer os erros da decisão quanto à divisão territorial.

"Se naquele momento tivéssemos pensado no conflito palestino-israelense e nas sequelas da resolução, provavelmente a repartição territorial não teria sido como foi proposta", afirmou à Sputnik Mundo.

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No entanto, o ex-vereador sublinhou que, naquele período, "não havia outro remédio a não ser a resolução", por ter acontecido dois anos após a Segunda Guerra Mundial e "ainda se podia cheirar no ar a fumaça dos crematórios".

Um ano depois da Resolução 181, em maio de 1948, o movimento sionista fundou o Estado de Israel, expulsando cerca de 700 mil palestinos de suas casas. Com a declaração de independência, israelenses tomaram aproximadamente metade dos territórios destinados ao Estado árabe segundo a declaração.

Atualmente, o Estado da Palestina é constituído pelos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza com reconhecimento limitado e representação como observador nas Nações Unidas.

Segundo Margalit, o fato de a Palestina não ser um Estado independente é um dos principais obstáculos para alcançar algum tipo de paz, pois qualquer tratado deve ser estabelecido entre países independentes.

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Outro fator que prejudica o fim do conflito é a rivalidade entre o Movimento de Libertação Nacional da Palestina, Fatah, e o Movimento de Resistência Islâmica, Hamas. Para o ex-vereador, a aproximação que demonstraram recentemente estes grupos não é real, porque "há demasiado rancor e interesse para que isso se concretize de um dia para outro", especificou.

Para Margalit, "não haverá solução no Oriente Médio enquanto não devolvamos o que tomamos pela força".

Existem propostas para sair do conflito, como uma divisão funcional da terra e não territorial ou a criação de uma confederação com fronteiras abertas, onde os judeus possam se estabelecer na Cisjordânia assim como árabes e palestinos possam fazer o mesmo em Israel.

"Agora mais pessoas entendem o que é preciso […] deixar de lado ideias como ‘soberania' e ‘terra toda minha' e pensar no plural, em todos os habitantes desta terra, os judeus e os árabes por igual", assegurou.

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Quanto ao papel que pode desempenhar a América Latina na busca pela paz, Margalit explicou ser importantíssima tomada de atitude do continente por "sentir na pele o que significam os direitos humanos, a justiça e a igualdade".

"Os latino-americanos o entendem muito melhor do que os europeus e norte-americanos", afirmou.

Por isso, o argentino israelense pediu para que os países da América Latina se envolvam mais no conflito do Oriente Médio: daria um empurrão no processo.

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